Ayso (Accademia Youth Symphony Orchestra) encerra em triunfo o Young Euro Classic 2026 no Konzerthaus de Berlim
Ayso (Accademia Youth Symphony Orchestra) encerra em triunfo o Young Euro Classic 2026 no Konzerthaus de Berlim, com estreia de 'Ritual' e ovações de pé.
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Ayso (Accademia Youth Symphony Orchestra) encerra em triunfo o Young Euro Classic 2026 no Konzerthaus de Berlim
Em um gesto que parecia escrever um epílogo inflamado para o verão musical europeu, a Accademia Youth Symphony Orchestra (Ayso) de Bari fechou com êxito a 27ª edição do Young Euro Classic 2026, no dia 16 de agosto, no histórico Konzerthaus de Berlim. O festival — que reuniu 14 das melhores formações juvenis do planeta e atraiu mais de 22.000 espectadores — consagra-se como o evento-apice para a reputação das orquestras jovens mundiais.
Depois de impressionar o circuito internacional ao conquistar duas vezes consecutivas o Primeiro Prêmio no Summa cum Laude Festival de Viena e, em 2025, o Golden Award no World Orchestra Festival também em Viena, a Ayso reafirmou que uma jovem realidade do Sul da Itália é capaz de dialogar em pé de igualdade com o grande sinfonismo europeu. A presença e o apoio de personalidades como Daniel Barenboim, Iván Fischer e Gidon Kremer, sob a direção artística de Alban Gerhardt e Mathias Hinke, transformam o Young Euro Classic num espelho do nível global das novas gerações orquestrais.
No concerto de encerramento, a casa estava totalmente lotada e as repetidas ovações de pé foram dirigidas à diretora e fundadora Teresa Satalino e aos setenta jovens músicos (todos com menos de 28 anos) vindos não só da Itália, mas também do Japão, França, Espanha e Letônia. Em meio a formações consagradas como a Bundesjugendorchester, a European Union Youth Orchestra (EUYO), a National Youth Orchestra of the United States of America, a Sommerakademie der Wiener Philharmoniker e a Jovem Orquestra Portuguesa, a Ayso destacou-se pelo rigor, precisão e impacto sonoro.
O percurso que levou a Ayso ao Konzerthaus começou com uma residência artística em Bari e passou por concertos no Kursaal Santalucia e em Lugano, todos recebidos com grande entusiasmo. O programa proposto explorou o imaginário italiano: de Walton a Martucci, de Tchaikovsky até a estreia absoluta de Ritual, do compositor Domenico Turi — uma releitura orquestral de materiais ligados aos rituais do Sul, às cantigas arcaicas e à dimensão ancestral da cultura popular italiana — culminando em peças de Respighi.
Essa escolha de repertório espelha a linha artística da Ayso: um alinhamento com o grande sinfonismo europeu, preferência por formações amplas e uma ambição projetual que encara repertórios complexos com uma postura rigorosa, corajosa e de pesquisa permanente por novos limites expressivos.
Como bem sintetizou Teresa Satalino, "na Konzerthaus de Berlim a Ayso incendiou a sala. Uma onda emotiva que saiu do palco, atravessou cada fila e voltou amplificada, impossível de conter. Um rito coletivo em que música, gesto e respiração criaram algo que transcende o concerto". Foi, portanto, mais que uma vitória artística: um momento de comunhão cultural, um espelho do nosso tempo em que jovens talentos reescrevem tradições e inventam novos mapas sonoros.
Para observadores do cenário musical europeu, a trajetória da Ayso funciona como um roteiro oculto da sociedade: jovens músicos do Sul da Itália que, armados de disciplina e imaginação, deslocam fronteiras e reconfiguram narrativas culturais. É o eco de uma geração que busca sentido e escala, traduzido em som.

