Bambole di Pezza lança '5': um álbum sobre diversidade, amor e uma canção contra a violência às mulheres
Bambole di Pezza lança '5': álbum que mistura punk e pop, celebra diversidade e inclui faixa contra a violência às mulheres.
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Bambole di Pezza lança '5': um álbum sobre diversidade, amor e uma canção contra a violência às mulheres
Por Chiara Lombardi — Em um momento em que a cultura pop funciona como espelho do nosso tempo, a trajetória do grupo Bambole di Pezza se lê como um roteiro de resistência e afirmação. Antes de chegarem ao palco do Festival de Sanremo, as cinco musicistas já acumulavam noites em vans, trens e uma Panda alquebrada — pequenas cenas que hoje ganham a dimensão simbólica de uma mise-en-scène da carreira.
O novo álbum, intitulado 5 e lançado na sexta-feira, é ao mesmo tempo um aceno às origens punk-rock da banda e uma abertura para melodias mais pop, especialmente na esteira do single sanremês Resta con me. O número escolhido ecoa a composição numerológica do quinteto: cinco dedos que, apesar das diferenças, tocam em conjunto.
“O fio condutor é o amor”, resume a vocalista Cleo, esclarecendo que não se trata apenas do afeto romântico, mas de uma cartografia afetiva maior — amor-próprio, paixão pelo fazer musical, a dor da falta e a reação às rupturas. A guitarra de Dani, fundadora da banda junto com Morgana, carrega essa honestidade de quem fez muita estrada para se provar profissional na música. “Depois de uma longa gaveta para afirmar que existíamos, finalmente nos sentimos profissionais. Damos tapinhas nas costas”, diz Dani com a solidez de quem já enfrentou o descrédito do circuito.
As memórias de estrada não são anedotas: são cenas fundadoras — a Panda velha, os amplificadores embarcados no trem — que ajudam a compor o roteiro oculto da banda. O apelido Bambole di Pezza nasce desse reframe: a ideia de “bambola” lúdica ganha o sufixo “di pezza” para declinar diferença e autenticidade — não são bonecas moldadas por um único estereótipo.
No disco, o conteúdo político e pessoal se cruza. O tema da violência contra as mulheres aparece em Antiproiettile, faixa que ganha ressonância particular porque Morgana foi vítima de stalking — o agressor foi recentemente condenado. A própria banda participou da inauguração, em Milão, do Museo del Patriarcato, demonstrando que a presença feminina no rock não é apenas estética, mas ação cultural. “O feminismo serve ainda, não está superado”, afirma a baixista Kaj, com convicção de quem quer transformar público em comunidade.
Outras faixas, como Nuda ma alla moda, colocam em cena o debate sobre o corpo feminino e o direito à agência do desejo; já Effetto collaterale celebra a diversidade: “Criamos uma família de diferentes que mantém uma fissura no sistema”, declara Morgana — uma frase que soa como manifesto e cena final ao mesmo tempo.
Há também um detalhe simbólico que viralizou: o tatuagem com a face de Carlo Conti no braço de Cleo, fruto de uma aposta sobre a recepção da banda antes de Sanremo — gesto que traduz, em caricatura, a aposta e a vitória de quem insistiu em estar no palco. Mais do que curiosidade, é um capricho narrativo que engrossa o roteiro do álbum.
Em 5, o quinteto propõe um catálogo sonoro que dialoga com a memória da estrada, o afeto e as urgências sociais. É um disco que se oferece como um espelho cultural: reflete dores, bandeiras e afetos, e convida a audiência a se reconhecer em uma imagem plural — o pequeno grande reframe de uma banda que não deixa de ser, antes de tudo, um coletivo de mulheres no rock italiano.