Bianca Balti se abre com Diletta Leotta: doença, maternidade e a recusa da Victoria's Secret
Bianca Balti revela no podcast de Diletta Leotta seu diagnóstico, medo pela filhas, dependência e a tentativa de voltar à Victoria's Secret.
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Bianca Balti se abre com Diletta Leotta: doença, maternidade e a recusa da Victoria's Secret
Por Chiara Lombardi, Espresso Italia — Em uma conversa franca e sem filtros no podcast Mamma Dilettante, conduzido por Diletta Leotta, a supermodelo Bianca Balti ofereceu uma narrativa íntima que vai além da celebridade: é o espelho de escolhas, perdas e a persistente vulnerabilidade humana.
No tom de quem analisa uma cena-chave de um filme que revela o roteiro oculto da vida, Bianca Balti falou sobre o diagnóstico do tumore ovarico em estágio III, revelado em setembro de 2024, e como essa experiência a forçou a confrontar o medo mais profundo. "Entendi que, se eu deixasse as coisas mais organizadas financeiramente para as minhas meninas, eu ficaria mais tranquila, porque a minha paura di morire está ligada somente às minhas figlie", disse ela, descrevendo a reação emocional de imaginar as filhas tristes na ausência da mãe: "Me dá vontade de chorar pensar nelas tristes porque a mamãe morreu".
Há uma eco cultural nessa declaração: não é apenas uma confissão privada, é a imagem de milhões de mulheres que equilibram legado, finanças e afetos. Balti confessou que sempre desejou ser mãe novamente — "teria querido mais filhos, teria querido quatro" — mas assumiu que a doença alterou esse roteiro: "agora não posso mais tê-los".
O diálogo também examinou capítulos mais sombrios de sua biografia: quinze anos de dipendenza de substâncias. Com a franqueza que a caracteriza, Bianca contou que começou aos 14 anos e que, aos 29, ao decidir ir para a rehab, teve que reaprender a viver sem drogas, porque "nunca tinha feito nada sem elas". Essa reconstituição da vida é, de certa forma, um reframe da realidade — a reconstrução de uma protagonista que volta ao set com um novo roteiro.
Amor e sexo entraram na pauta com honestidade desconcertante. Balti admitiu já ter confundido orgasmo com amor: "Se você me dá um orgasmo, eu me apaixono. Então para mim sempre foi assim: fazia amor com um homem e me apaixonava, confundia o coração com os orgasmos". É uma confissão que desmistifica a intimidade pública e revela uma arquitetura emocional complexa, digna de análise sem julgamentos.
Ainda sob a lente do trabalho e da representatividade, Bianca Balti relatou a tentativa de retornar ao desfile da Victoria's Secret. Ela contou que desfilou quando tinha 20 anos e, diante de uma moda hoje mais inclusiva e do fato de o evento ter sido vinculado ao mês de prevenção do câncer de mama, decidiu propor sua participação: "Escrevi para a Victoria's Secret!". Ela e seus gestores prepararam uma carta enfatizando como seria potente mostrar mulheres que passaram por um tumor, com cicatrizes e histórias, oferecendo visibilidade a quem sobreviveu. "F*, sou f*, então me coloquem com um sutiã bonito, uma calcinha e me deixem desfilar!". O resultado, porém, foi silêncio: a mensagem não foi recebida como esperava.
Ao longo da entrevista, Bianca também lembrou que tem sido transparente nas redes — onde seus seguidores acompanharam de perto o drama da doença — e reiterou que sua honestidade, às vezes brutal, é uma força: é o roteiro corajoso que escolheu viver em público para transformar a própria vulnerabilidade em representatividade.
Ao fechar, a fala de Balti ressoa como uma cena final que fica após os créditos: uma mulher que dialoga com a própria finitude, com a maternidade interrompida, com a reabilitação e com uma indústria que nem sempre reconhece quem reescreve o próprio corpo. É um lembrete de que entretenimento e vida real se entrelaçam — e de que as histórias pessoais, quando bem contadas, podem virar um manifesto cultural.