Brillante Mendoza anuncia filmes de festival e coprodução com a França: encontro em Kuala Lumpur
Brillante Mendoza anuncia novo filme de festival e coprodução com a França; fala sobre streaming, séries e vontade de pós-produção na Itália.
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Brillante Mendoza anuncia filmes de festival e coprodução com a França: encontro em Kuala Lumpur
Por Chiara Lombardi — Em entrevista exclusiva a IDGI durante a nona edição do Malaysia International Film Festival, em Kuala Lumpur, o cineasta filipino Brillante Mendoza falou sobre seus próximos passos criativos e a possibilidade de colaborar com a Itália em pós-produção. Convidado para participar do painel Asean On Screen – Financiar o cinema hoje: modelos, mercados e coproduções internacionais, Mendoza abriu o roteiro de seus planos sem dar títulos, mas com clareza sobre direções e prioridades.
IDGI: Quais projetos podemos esperar para 2026 e 2027?
Brillante Mendoza: "Acabei de finalizar um filme; desta vez é um filme de festival, de autor. Em seguida, vou rodar outro em coprodução com a França antes do fim do ano, que será filmado nas Filipinas; estou a trabalhar com uma atriz francesa. Estes dois projetos são bem diferentes do que fiz anteriormente."
O comentário ressalta um reencontro de Mendoza com o circuito de festivais — uma volta ao cinema que é mais um diálogo com a tradição autoral do que uma estratégia puramente comercial. É o cineasta reescrevendo seu espelho artístico depois de temporadas em plataformas.
IDGI: E sobre séries de TV?
Brillante Mendoza: "No momento não estou pensando nisso, porque recentemente fiz muitas séries e vários filmes para streaming. Creio que fiz três ou quatro especificamente para streaming. Por ora volto a fazer o que gostava antes, ou seja, filmes de festival."
Essa pausa das séries não é um capricho nostálgico, mas uma escolha estratégica: ele descreve o cinema de plataforma como um terreno diferente, onde o roteiro oculto é a necessidade de agradar não só o público, mas as direções das plataformas, que decidem com base em métricas e retornos.
IDGI: Por que essa mudança é tão significativa?
Brillante Mendoza: "A distribuição cinematográfica e os filmes que fiz anteriormente são realmente desafiadores; investidores e produtores buscam projetos com retorno. Por isso tive que me dedicar a projetos para streaming: também preciso sobreviver. Mas quero fazer outras coisas que me interessam; os filmes para plataformas são diferentes porque precisam ser atraentes, acessíveis e agradar aos executivos das plataformas."
Há aqui um refrão contemporâneo: a tensão entre economia da imagem e o desejo autoral. Mendoza não abandona o mercado, apenas reivindica espaço para um cinema que funcione como espelho do nosso tempo, sem perder o risco artístico.
IDGI: A presença de uma atriz francesa tem um papel no projeto?
Brillante Mendoza: "A história que desenvolvo agora precisa de uma contrapartida europeia. Também preciso de algum financiamento da França: foi providencial contar com uma atriz francesa e um coprodutor ou parceiro francês. O bonito dos franceses é que têm enorme respeito por artistas e cineastas. Também realizei dois projetos japoneses com produtores japoneses; o que me agrada nos japoneses é o mesmo respeito pelo cineasta."
Ao evocar França e Japão, Mendoza traça um mapa de alianças culturais que privilegia o respeito pela obra e pela autoria — elementos que, segundo ele, sustentam o cinema de festival.
IDGI: E os italianos?
Brillante Mendoza: "Espero poder cuidar da pós-produção na Itália, assim poderei trabalhar também com os italianos."
A declaração abre uma janela de desejo: não apenas coproduzir, mas inserir a Itália como parceiro técnico e cultural na finalização de suas obras. Para quem acompanha o percurso de Mendoza, trata-se de um movimento que confirma a atual revalorização da cooperação europeia no cinema global.
Em suma, o cineasta mostra-se pragmático e sensível: transita entre a necessidade de produzir para plataformas e a urgência de resgatar o tempo do filme de festival, onde as imagens podem ousar mais. É um roteirista de trajetórias que reconstrói seu ofício no cenário de transformação das indústrias culturais — um verdadeiro reframe da realidade cinematográfica contemporânea.