Bruce Springsteen anuncia tour nos EUA: E Street Band volta para levar esperança e defender a democracia
Bruce Springsteen lança o Land of Hope and Dreams US Tour com a E Street Band, prometendo esperança, democracia e paz em shows de Minneapolis a Washington DC.
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Bruce Springsteen anuncia tour nos EUA: E Street Band volta para levar esperança e defender a democracia
Por Chiara Lombardi — Em um anúncio conciso e carregado de significado, Bruce Springsteen revelou nas redes sociais o Land of Hope and Dreams US Tour, que começa em 31 de março em Minneapolis e termina em 27 de maio em Washington DC. Na breve filmagem, o Boss lista as datas com fôlego acelerado e conclui com a declaração firme: «a E Street Band está chegando».
O ponto de partida não foi escolhido ao acaso. Minneapolis foi palco de intensas manifestações e episódios dramáticos nos últimos anos — experiências que inspiraram a canção "Streets of Minneapolis" — e, no discurso da gravação, Springsteen faz do roteiro do tour um contraponto direto às tensões políticas e sociais atuais. «Levaremos a esperança contra o medo, a democracia contra o autoritarismo, o Estado de direito contra a ilegalidade, a ética contra a corrupção, a unidade contra a divisão e a paz contra a guerra!», afirma o artista, enquanto os músicos enfatizam a palavra “guerra”.
Em entrevista ao Minnesota Star Tribune, Springsteen definiu este como possivelmente o seu tour mais político: «A E Street Band nasceu para momentos difíceis; são exatamente esses momentos que nos permitem ser úteis à comunidade. Estou moldando o repertório em torno dessas ideias». O músico evoca 1968 — quando tinha 18 anos — como referência de outro período em que os Estados Unidos foram colocados à prova num nível tão profundo, tanto em termos de identidade coletiva quanto de escolhas éticas e políticas.
O repertório e os gestos de Springsteen têm sido parte de uma sequência pública: ele cantou "Streets of Minneapolis" em 30 de janeiro durante um show em Minneapolis, ao lado de Tom Morello, e voltou a interpretá-la no evento que marcou os 30 anos do Democracy Now em Nova York. Está previsto que ele execute a mesma música no dia 28 de março na manifestação “No Kings”, que terá participações como Joan Baez, Maggie Rogers e Jane Fonda.
Sobre possíveis repercussões por sua postura crítica ao governo Trump, o artista foi direto: «Meu trabalho é simples: faço o que quero, digo o que penso, e o público pode reagir como quiser. Essas são as regras do jogo. Estou bem com isso. Não me preocupa perder parte do público».
Mais do que uma sequência de shows, o Land of Hope and Dreams US Tour se apresenta como um ato performático e simbólico — um roteiro que pretende funcionar como espelho do nosso tempo e como proposta de reframing cultural. A E Street Band, na visão de Springsteen, age como um coletivo que traduz em música a urgência dos conflitos contemporâneos: é a semiótica do palco transformada em convocação pública.
Para o público e para os observadores culturais, resta acompanhar como a montagem do setlist e as declarações de palco se articularão, e que tipo de eco esse “tour político” provocará no cenário americano e além. Springsteen não apenas volta aos palcos: ele reivindica o papel do artista como ator social, usando a turnê como plataforma — e, como sempre, como espelho do que a sociedade tenta compreender sobre si mesma.