Cannes: L'inconnue e Fjord brigam pela Palma; Argento chega para sessão restaurada de Metti una sera a cena

Em Cannes, L'inconnue e Fjord disputam a Palma; Argento chega para Metti una sera a cena restaurado e Refn estreia Her Private Hell.

Cannes: L'inconnue e Fjord brigam pela Palma; Argento chega para sessão restaurada de Metti una sera a cena

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Cannes: L'inconnue e Fjord brigam pela Palma; Argento chega para sessão restaurada de Metti una sera a cena

Em mais um dia que revela o pulso cultural do festival, Cannes reúne hoje, segunda-feira 18 de maio, títulos que dialogam com identidades e memórias coletivas. Em competição, dois filmes atraem atenção por abordarem transformações íntimas e julgamentos sociais: L'inconnue, do francês Arthur Harari, e Fjord, do romeno Cristian Mungiu.

L'inconnue propõe um dispositivo narrativo inquietante: um homem que desperta no corpo de uma mulher. No centro desse espelho da nossa época está Lea Seydoux, que compõe seu segundo filme em disputa nesta edição — após Gentle Monster. A proposta evoca não só a fluidez da identidade, mas o roteiro oculto das expectativas sociais diante do gênero.

Fjord, por sua vez, volta o olhar para a intimidade familiar e o tribunal da opinião pública: um casal cuja forma de educar os filhos se transforma em acusação. A narrativa carrega ressonâncias com casos que moldaram a percepção pública sobre parentalidade e criminalidade — memórias coletivas que a tela reencena e questiona.

No âmbito das homenagens e do patrimônio fílmico, a Croisette terá um momento de reverência: Dario Argento desembarca em Cannes para participar da sessão da versão restaurada de Metti una sera a cena (1968), de Giuseppe Patroni Griffi, exibida na sala Buñuel como parte do Cannes Classics. Argento, que foi cocenegista do filme, chega ao festival como testemunha de um elo entre gêneros — o cinema de autor e o cinema de horror —, lembrando que a história das imagens também é um arquivo de rupturas e encontros.

Fora de competição, estreia um dos títulos mais aguardados: o thriller-horror Her Private Hell, de Nicolas Winding Refn. Refn, que conquistou no festival um prêmio de direção com Drive há quinze anos, retorna agora com um filme que promete dividir plateias e críticos, continuando sua exploração do universo noturno e do trauma como forma estética.

A programação do dia se completa com Aquí, de Tiago Guedes, e L’Affaire Marie-Claire (Women on Trial), de Lauriane Escaffre e Yvo Muller — títulos que expandem o leque temático do dia, do íntimo ao político, do arquivo ao presente.

Mais do que uma sequência de exibições, a seleção de hoje funciona como um pequeno atlas do tempo presente: filmes que espelham ansiedades sobre corpo, família e julgamento, e oficinas de memória que restauram e reavaliam o passado. Em Cannes, o festival continua a ser esse cenário de transformação onde cada sessão é um refrão do zeitgeist, convidando-nos a ler os estilhaços do presente através da lente do cinema.