Canzonissima ao vivo: homenagem a Loretta Goggi e noite de inspirações
Canzonissima ao vivo: homenagem a Loretta Goggi, tributos de Serena Rossi e artistas que reescrevem o repertório italiano. Rai1, sábado às 21h20.
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Canzonissima ao vivo: homenagem a Loretta Goggi e noite de inspirações
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Canzonissima chega ao seu quinto encontro apresentado por Milly Carlucci. Neste sábado, 18 de abril, o programa vai ao ar ao vivo na Rai1 às 21h20, numa noite pensada como um verdadeiro diálogo entre passado e presente — o roteiro oculto da música popular que se revela como espelho do nosso tempo.
Na sequência da vitória de Arisa com "La Notte" na quarta edição, a proposta da vez tem como fio condutor o tema "La canzone che avrei voluto scrivere io". É uma proposta que convida os intérpretes a reconhecer canções que marcaram suas trajetórias e que, em certa medida, reescrevem a própria memória afetiva coletiva.
Entre os protagonistas da noite estão nomes que atravessam décadas da canção italiana: Riccardo Cocciante (Il cielo in una stanza), Enrico Ruggeri (A muso duro), Fabrizio Moro (Ma il cielo è sempre più blu), Leo Gassman (Un senso), Michele Bravi (I migliori anni della nostra vita), Fausto Leali (La valigia dell’attore), Malika Ayane (Nel blu dipinto di blu), Irene Grandi (Albachiara), Elettra Lamborghini (Tanti Auguri), Arisa (Nei giardini che nessuno sa), Vittorio Grigólo (Perdere l’amore) e Jalisse (Vacanze romane). Cada escolha é um pequeno manifesto sobre influência, estética e identidade.
O sistema de votação mantém a tríade que tem definido o formato: um painel de personalidades do entretenimento; os chamados "Magnifici 7" — Claudio Cecchetto, Francesca Fialdini, Pierluigi Pardo, Riccardo Rossi, Simona Izzo, Caterina Balivo e Giacomo Maiolini —; os próprios cantores, que podem votar excluindo a própria canção; e, por fim, o público, ativado via redes sociais. Essa composição de pesos transforma a noite em um painel múltiplo de leituras, entre crítica, nostalgia e tendência.
Uma das vozes centrais do espetáculo desta edição é Serena Rossi, que não só partilha sua experiência artística como entrega ao público um monólogo dedicado à tradição das canções napolitanas — um segmento de memória coletiva que ela culmina com a interpretação de "Reginella", um clássico da tradição partenopea. É um momento que funciona como reframe da realidade cultural: a canção regional como elo entre gerações.
A continuidade do programa aposta ainda num tributo explícito à história do próprio Canzonissima e num sentido de reverência a Loretta Goggi. A homenagem se materializa numa coreografia do corpo de baile sobre Taratapunzi-e e numa interpretação contida e elegante de Francesca Fialdini, que entoará trechos de "Maledetta Primavera". Mais do que um gesto de saudade, trata-se de uma curadoria simbólica que coloca Goggi no centro de um eco cultural: a artista como personagem-chave do cânone televisivo e musical italiano.
Assistir a esta edição de Canzonissima é também observar o mecanismo de produção de sentido em tempo real — como se estivéssemos numa sala de montagem onde se compõe o arquivo afetivo de uma nação. Entre performances e escolhas de repertório, o programa se afirma como um laboratório de memórias, refazendo trajetórias e propondo leituras contemporâneas para canções que resistem. Para quem vê, resta a experiência de reconhecer motivos afetivos e estéticos e de perceber por que certas melodias seguem compondo a trilha sonora da nossa história coletiva.