Carlo Conti admite época com 'duas namoradas' e aponta Nicola Savino como afinidade profissional
Carlo Conti conta episódio de ter duas namoradas, elogia Nicola Savino e comenta passagem de bastão com Stefano De Martino em entrevista no Belve.
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Carlo Conti admite época com 'duas namoradas' e aponta Nicola Savino como afinidade profissional
Por Chiara Lombardi — Em uma conversa que mistura confidência e análise do palco televisivo como um verdadeiro espelho do nosso tempo, Carlo Conti foi o convidado desta semana do programa Belve, conduzido por Francesca Fagnani. O apresentador italiano reviveu episódios íntimos e profissionais, oferecendo pequenos fragmentos que ajudam a decifrar o roteiro oculto da sua carreira e, por extensão, um pouco da semiótica da TV contemporânea.
Logo no início, Fagnani provocou sobre sucessões e herdeiros: “Vê por aí alguém que possa ser seu sucessor?” Conti respondeu com a elegância de quem lê tendências e não faz profecias definitivas: destacou Stefano De Martino como alguém que “partiu fortíssimo”. Questionado sobre quem sente mais próximo no ofício, Conti não hesitou: “Nicola Savino”. A resposta ganhou tom de afeto profissional — uma indicação de quem compõe a rede de afinidades no vasto ecossistema da mídia.
Sobre a polêmica da passagem de bastão anunciada antes da final de Sanremo, Conti explicou com franqueza: preferiu comunicar antecipadamente porque já havia decidido. “Quis dar força, primeiro a Stefano, e legitimar esse momento como um gesto de carinho”, disse. A fala revela o duplo movimento da televisão: estratégia de comunicação e ritual de transição, um pequeno reframe que transforma notícia em rito.
Fagnani também perguntou se Conti veria um eventual retorno de Amadeus à RAI com bons olhos. “Por que não? É uma equipe — quanto mais profissionais, melhor”, disse. Sobre rumores de uma proposta para assumir uma direção de rede, Conti desconversou com ironia: “Se aceitasse, teria que apagar todos os meus programas.” A constatação ilumina o conflito entre poder executivo e a liberdade criativa do apresentador.
A entrevista não fugiu do campo íntimo. Ao ser questionado sobre boatos que o associaram à bisexualidade, ele respondeu com leveza e humor: negou dúvidas pessoais e lançou um comentário jocoso de duplo sentido, que manteve o tom leve sem aprofundar a polêmica. Em seguida, contou uma anedota quase cinematográfica sobre um período em que se considerava “malato di dongiovannite”: “Tinha duas namoradas ao mesmo tempo. Uma tinha o trem às 16:55 e a outra chegava às 17:05. Fiz a corrida entre plataformas — uma saiu 30 segundos antes da outra chegar. Fui um pouco birbante.” A imagem — Conti correndo entre trilhos — funciona como metáfora para muitas escolhas cênicas e pessoais que compõem a persona pública.
Ao final, a entrevista reafirma o que sempre digo: o entretenimento é um palco onde se desenham micro-histórias que refletem desejos, máscaras e pequenos gestos de afeto. Carlo Conti, com seu modo bem-humorado e comedido, mostrou-se tanto artesão da televisão quanto personagem de uma narrativa coletiva — alguém que sabe quando segurar a cena e quando passar o papel para outro ator do zeitgeist.
Data da entrevista: 13 de abril de 2026.