Carlo Verdone e a 'Scuola di seduzione': um filme sobre as fragilidades da sedução — e uma crítica de De Laurentiis ao ministro Giuli

Verdone volta com 'Scuola di seduzione', um mosaico de fragilidades humanas; De Laurentiis critica Giuli sobre financiamento do cinema.

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Carlo Verdone e a 'Scuola di seduzione': um filme sobre as fragilidades da sedução — e uma crítica de De Laurentiis ao ministro Giuli

Por Chiara Lombardi — No cenário de um cinema que se vê cada vez mais atravessado pelo digital, Carlo Verdone retorna à direção de longa-metragem com Scuola di seduzione, obra que chega em exclusivo à Paramount+ em 1º de abril. O ponto de partida do roteiro foi um artigo do The Guardian sobre o fenômeno em expansão das “escolas de sedução” online — um espelho do nosso tempo em que a intimidade vira técnica e a sedução, produto a ser aprendido.

Apresentado em Roma, o filme marca o reencontro de Verdone com a narrativa longa após a série Vita da Carlo (quatro temporadas, 2021–2025) e sucede o seu último longa, Si vive una volta sola (2021). “Depois de todo o tempo dedicado à série, com a possibilidade de aprofundar personagens, voltar ao filme não foi simples — pensei se ainda seria capaz”, confidenciou Verdone. Mas a aposta deu certo: ele assina roteiro (junto a Pasquale Plastino e Luca Mastrogiovanni), direção e interpretação do elenco coral.

Produzido por Luigi e Aurelio De Laurentiis, o elenco reúne nomes como Karla Sofía Gascón Ruiz, Lino Guanciale, Vittoria Puccini, Beatrice Arnera, Euridice Axen e Romano Reggiani. São seis protagonistas cujas trajetórias se entrelaçam numa escola de sedução pouco convencional: há quem procure o amor, quem o rejeite refugiando-se no sexo fácil, quem lute para salvar um casamento, quem viva preso a um passado, quem se sinta “diferente” e inadequado, e quem busque finalmente o afeto paterno negado por 26 anos.

Ao centro dessa colagem de histórias está a figura da psicóloga trans interpretada por Karla Sofía Gascón Ruiz — atriz que, segundo a apresentação, recebeu o Prix d'interprétation féminine em Cannes 2024 por Emilia Perez. “Foi como voltar para casa”, disse ela, lembrando a experiência italiana e o trabalho com um time que, nas palavras de Verdone, é “extraordinário”.

O fio condutor do filme é a delicada investigação das fragilidades contemporâneas: Verdone fala de melancolia como traço de sua obra — ou daquilo que ele chama, com seu humor característico, de “melancomicità”. Em vez de tratá-las como falhas, o diretor prefere escavar essas feridas para revelar coragem e emoção. O resultado é um mosaico ao mesmo tempo triste e esperançoso, com um tom que lembra antigos filmes italianos onde o riso convive com a dor.

Não faltou, entretanto, um momento de tensão na apresentação: os produtores De Laurentiis dirigiram críticas públicas a Giuli, afirmando que “seria melhor que ele não assumisse o cargo de ministro se não souber distribuir os recursos para o cinema”. A intervenção coloca em primeiro plano o debate sobre financiamento e distribuição cultural na Itália — o roteiro oculto da sociedade que organiza o acesso às artes.

Às vésperas da estreia, Scuola di seduzione se apresenta não apenas como entretenimento, mas como um estudo de personagens que reflete mudanças sociais e os novos modos de se relacionar no século XXI. Como um filme que funciona como espelho do nosso tempo, ele nos convida a um reframe da realidade emocional: a sedução aqui é menos um manual e mais uma cartografia das inseguranças humanas.

Ficha: Scuola di seduzione, roteiro: Carlo Verdone, Pasquale Plastino e Luca Mastrogiovanni; direção: Carlo Verdone; elenco: Karla Sofía Gascón Ruiz, Lino Guanciale, Vittoria Puccini, Beatrice Arnera, Euridice Axen, Romano Reggiani; produção: Luigi e Aurelio De Laurentiis; estreia exclusiva: 1º de abril no Paramount+.