Celentano recorre a Giulia Bongiorno e abre ação legal após alegação de paternidade
Adriano Celentano nomeia Giulia Bongiorno e parte para vias legais após alegação pública de paternidade feita por Antonio Segatori Biscardi.
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Celentano recorre a Giulia Bongiorno e abre ação legal após alegação de paternidade
Por Chiara Lombardi — Em mais um ato que mistura memória pública e disputa judicial, Adriano Celentano decidiu seguir pelas vias legais após a entrevista publicada pela revista Oggi, em que Antonio Segatori Biscardi se apresentou como seu possível filho. O cantor, figura icônica da música italiana, nomeou a advogada Giulia Bongiorno para defendê-lo "de toda e qualquer especulação".
No post publicado nas redes sociais, Celentano reagiu com economia de palavras mas com firmeza simbólica: «Prima la presunta madre, ora il presunto figlio». Em tom lapidar, ele recorda que, há cerca de meio século, já havia surgido uma alegação semelhante que não resultou em confirmação judicial. Agora, diante da nova afirmação pública, o artista julgou necessário formalizar uma defesa jurídica.
Segundo a reportagem de Oggi, Antonio Segatori Biscardi teria depositado junto ao Tribunal civil de Milão um pedido de declaração judicial de paternidade. O caso remonta a relatos de família: a mãe do suposto filho, Maria Luigia Biscardi, hoje com 73 anos, contou que concebeu o menino após um breve relacionamento com Celentano em 1967, quando ela tinha pouco mais de 15 anos e participava do Cantagiro usando o nome artístico "Brenda Bis".
O enredo nos leva ao pulsar dos anos 1960, quando o universo do entretenimento funcionava como um set de cinema onde bastidores e vida privada frequentemente se confundiam. Conforme os relatos publicados, Celentano teria incluído a jovem no circuito do seu selo, o Clan, e os encontros descritos teriam acontecido em espaços de trabalho, longe dos olhos da imprensa.
Quando, em janeiro de 1970, a gravidez teria sido descoberta, a versão contada ao semanário indica que Celentano passou a ignorar a mãe e que, em seguida, o contrato dela com a gravadora foi encerrado. Em 1975, a família relata que buscou o reconhecimento judicial da paternidade, em um processo que teve repercussão nos jornais da época e foi acompanhado por uma negação pública do artista.
O desfecho daquele procedimento antigo não foi esclarecido nas fontes atuais. Agora, com o novo pedido levado ao Tribunal civil de Milão, retoma-se uma narrativa que já pertence ao arquivo da memória cultural e que, para o artista, exige proteção formal contra aproveitamentos midiáticos — ou, como ele mesmo colocou, contra qualquer nova especulação.
Mais do que um caso de identidade pessoal, esta história funciona como um espelho do nosso tempo: revela como o passado se reencena nas redes e nas manchetes, e como figuras públicas atravessam décadas carregando episódios que o público insiste em reescrever. A decisão de Celentano de acionar uma advogada de perfil combativo como Giulia Bongiorno sinaliza que o confronto agora será tanto jurídico quanto cultural — um teste sobre privacidade, memória e o valor simbólico do nome.
Seguiremos acompanhando os desdobramentos no Tribunal civil de Milão e as eventuais repercussões públicas e jurídicas. Enquanto isso, a narrativa se mantém em aberto: entre o passado que insiste em voltar à cena e o presente que busca impor limites ao espetáculo.


