Centenário de Marilyn: 1.037 sosias tomam Palm Springs em tributo recorde
No centenário de Marilyn Monroe, 1.037 sosias celebraram em Palm Springs entre shows, leilões e homenagens à ícone de Hollywood.
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Centenário de Marilyn: 1.037 sosias tomam Palm Springs em tributo recorde
Por Chiara Lombardi — Em um espetáculo que parece saída da cena final de um filme clássico, Marilyn Monroe foi celebrada em grande estilo no seu centenário. O centro de Palm Springs se transformou num set vivo quando um recorde de sosias — 1.037 participantes — reuniu-se ao redor da icônica estátua "Forever Marilyn", quadruplicando o anterior recorde de 254 pessoas. A contagem oficial, anunciada ao final do encontro, foi saudada com uma ovação que ecoou como aplauso em uma première.
A cena era um mar de vestidos brancos e perucas loiro platina, embalado por música ao vivo, DJ sets e um calendário de eventos que mesclou tributo, entretenimento e memória cultural. O encontro não foi apenas um gesto de nostalgia: estabeleceu um diálogo com a trajetória de Norma Jeane — o nome antes da persona — e ressaltou o elo entre a imagem pública de Marilyn e os espaços que ajudaram a moldá-la.
Antes de ser a grande estrela de Hollywood, a jovem Norma Jeane viveu temporadas em Palm Springs, onde foram feitas algumas das primeiras fotografias que impulsionaram sua visibilidade. Essa geografia íntima da fama é parte do roteiro oculto que torna a celebração mais do que figurino: é um reencontro com as origens da imagem que atravessou décadas.
O programa da festa incluiu um concerto tributo, projeções de filmes, espetáculos de drag queens, exposições temáticas e um mercado gastronômico. Importante: o evento teve caráter beneficente — os recursos angariados foram destinados ao Palm Springs Pride e aos seus programas de apoio à comunidade LGBTQ+. Ali, o glamour encontra responsabilidade social, e a imagem de Marilyn age como um espelho do nosso tempo, iluminando conexões entre entretenimento e ativismo.
As homenagens à estrela em seu centésimo aniversário não se limitaram ao deserto californiano. Em Los Angeles, a poucos quilômetros e pouco mais de duas horas de carro, aconteceram exposições, projeções e leilões. No Chinese Theatre, palco onde Marilyn deixou sua marca em 1953 ao lado de Jane Russell em Os Homens Preferem as Loiras, fãs se reuniram para reviver o rito da velha Hollywood. Paralelamente, o National Museum of Motion Picture Arts and Sciences abriu a mostra "Marilyn Monroe: Hollywood Icon", que percorre sua carreira com filmes, objetos raros e o famoso vestido de cetim rosa usado em Os Homens Preferem as Loiras.
O leilão "100 Years of Marilyn" trouxe itens inéditos: fotografias nunca vistas, a roteiro anotado do inacabado Something's Got to Give e pertences pessoais, incluindo maquiagem da atriz. Mesmo com uma carreira profissional relativamente breve — cerca de 17 anos — a presença simbólica de Marilyn Monroe permanece voraz. Em 2023, ela figurava na lista da Forbes das celebridades falecidas com maiores ganhos, ocupando o 12º lugar com US$ 10 milhões.
Mais do que recordar penteados e vestidos, a reunião em Palm Springs funciona como um estudo de caso sobre a perenidade de ícones: por que alguns rostos resistem à erosão do tempo? A resposta passa pela combinação entre imagem, mito e mercado cultural — e por como cidades e instituições continuam recontando essa narrativa. A celebração foi, portanto, tanto uma festa quanto um reframing da memória pública, onde cada sosia virou reflexo de um legado que insiste em se reinventar.