Claudio Bisio convence como commissário Benassi em 'Uno sbirro in Appennino', mas trama peca pelo turismo
Claudio Bisio brilha como commissário Benassi em 'Uno sbirro in Appennino', mas a série corre o risco de se tornar turística demais.
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Claudio Bisio convence como commissário Benassi em 'Uno sbirro in Appennino', mas trama peca pelo turismo
Por Chiara Lombardi — Em cena na Rai 1 por quatro primeiras serate, Uno sbirro in Appennino chega como uma série policial que mistura o íntimo e o paisagístico, produzida pela Picomedia, escrita por Fabio Bonifacci e dirigida por Renato De Maria. O protagonista, o commissário Vasco Benassi, vivido por Claudio Bisio, é o espelho de um tempo que busca narrativas locais com ressonância universal.
O cenário central é Muntagò, um borgo imaginário que representa simbolicamente o conjunto do Appennino. É um «lugar mitopoético», onde a paisagem não é pano de fundo decorativo, mas personagem que dialoga com as feridas e memórias do protagonista. Benassi retorna penalizado ao seu povoado natal por um erro profissional: um retorno que, na lógica narrativa, funciona tanto como punição quanto como oportunidade de reconexão com suas raízes e os fantasmas do passado.
O que permanece intacto é a paleta humana do personagem que Bisio já habita: um investigador menos dado ao tiroteio e mais afeito à escuta — um analisador de almas. Ele opera na fronteira entre a comédia e a gravidade, movendo-se com uma mimica facial rica e um timing cômico que se transforma, sem esforço, em dramaticidade. É notável como prefere a investigação psicológica à solução pela força, passando da ironia afiada ao silêncio dolorido com naturalidade.
No entorno, a relação com o elenco sustenta o fio emocional: Valentina Lodovini é Nicole Poli, amor platônico de juventude e hoje prefeita de Bolonha; Michele Savoia vive o fiel Fosco; Elisa D’Eusanio interpreta a inspetora Gaetana; e Chiara Celotto está no papel da jovem agente Amaranta, que vê em Benassi um mentor — uma dinâmica mestre-aprendiz complexa e rica em fricções.
Um dos pontos centrais desta produção é o papel das Film Commission regionais, que nas últimas duas décadas se tornaram fios condutores da ficção italiana. Elas atuam não apenas como patrocinadoras, mas como forças que moldam estética, economia e até o próprio enredo. Quando o território torna-se personagem, a série ganha textura; o risco, porém, é que a dramaturgia acabe suavizada, quase panorâmica — orientada por demandas promocionais e turísticas do ente financiador.
Em termos de recepção, Uno sbirro in Appennino oferece a familiaridade de um herói que tropeça e se refaz, enquanto o cenário alpestre inspira um eco cultural apetitoso. Ainda assim, fica a sensação de que, em alguns momentos, o roteiro se curva demais ao encanto fotográfico, em vez de aprofundar o conflito humano. A série funciona — sobretudo graças a Bisio — mas às vezes parece mais cartão-postal do que espelho crítico do nosso tempo.