Corinne Clery anuncia casamento com companheiro gay: ‘Não somos um casal convencional’
Corinne Clery anuncia casamento com seu amigo Claudio Gentili para garantir proteção legal; ele é homossexual e o casal não vive um romance convencional.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Corinne Clery anuncia casamento com companheiro gay: ‘Não somos um casal convencional’
Por Chiara Lombardi — Em uma conversa franca com a revista Gente, a atriz de 76 anos Corinne Clery revelou a decisão inédita que redesenha sua rede de afetos: ela pedirá em casamento o companheiro Claudio Gentili. Motivo prático e afetivo ao mesmo tempo, a escolha é também um espelho do nosso tempo, onde laços não necessariamente se inscrevem na trama romântica tradicional.
O ponto de virada foi um episódio de saúde ocorrido no ano passado: um mal-estar repentino antes de entrar em cena que a levou a desmaiar. “Eu desmaiei na frente de todos, foi um momento terrível e tive medo”, contou. Daquele susto emergiu uma pergunta simples e decisiva: se algo me acontecer, quem terá autoridade para me proteger e tomar decisões médicas? Foi essa urgência que a levou a propor o casamento a Claudio Gentili, um gesto prático que, ao mesmo tempo, desestabiliza expectativas sobre o que constitui um matrimônio.
Clery explicou que a iniciativa partiu dela: “A ideia do casamento veio a mim. Estou sozinha, adoeci, me recuperei, mas se me acontecer algo? Se eu casar, ele terá todos os meios para me proteger e zelar por mim.” Palavras que revelam um cálculo emocional e jurídico — o casamento como instrumento de proteção no cotidiano e nas contingências da vida.
Importante sublinhar que essa união não segue o roteiro clássico da paixão: “Com o sexo eu fechei há anos, não procuro mais, e também com os sentimentos eu fechei”, disse a atriz. Clery define Claudio como “um amigo adorável de quatro anos, a quem tenho muito carinho”, e afirma que “não somos apaixonados”. A revelação que chama atenção, porém sem escândalo, é que Claudio é homossexual — “não é segredo e ele não o esconde”, ressaltou.
O plano inicial de celebrar em 25 de dezembro em Paris — cidade que o casal apelidou de “cidade do coração” após uma viagem conjunta — foi adiado por questões práticas e pelo frio. A hipótese mais concreta para a recepção é a Provença, e Clery prevê que a cerimônia ocorra após o verão, sem data definitiva por enquanto.
O gesto de Corinne, elegante em sua praticidade, abre uma reflexão cultural: o casamento como contrato social que às vezes responde menos a um espetáculo do afeto e mais a necessidades de cuidado, proteção e pertencimento. É um reframe da realidade afetiva que questiona o roteiro tradicional do amor e mostra como as instituições se adaptam ao roteiro oculto da vida real.
Esta escolha de vida de Corinne Clery — que também declarou ter encerrado sua carreira na cena após o desmaio — fala sobre autonomia, sobre formas alternativas de convivência e sobre a urgência de assegurar direitos e cuidados. Em um mundo em que as fronteiras entre amizade, afeto e arranjos legais se tornam cada vez mais fluidas, o casamento proposto por Clery é menos um final de filme romântico e mais um ato silencioso de proteção mútua.
Data da entrevista: 13 de abril de 2026. Reprodução reservada.