Dave Grohl revela: 70 semanas de terapia e mais de 430 sessões após a traição
Dave Grohl está em terapia seis dias por semana há 70 semanas — mais de 430 sessões — enquanto busca reparar família após infidelidade.
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Dave Grohl revela: 70 semanas de terapia e mais de 430 sessões após a traição
Em uma entrevista ao The Guardian, a primeira desde a sua confissão pública de infidelidade, o líder dos Foo Fighters, Dave Grohl, abriu a cortina sobre um processo íntimo e prolongado de reparação pessoal e familiar. O músico, que em setembro de 2024 anunciou nas redes sociais ter tido uma filha fora do casamento e prometeu reconquistar a confiança da esposa Jordyn Blume e das três filhas (Violet, Harper e Ophelia), afirmou que hoje vive uma rotina intensa de acompanhamento psicológico.
“A letra fala por si”, disse Grohl ao comentar o novo single "Your Favorite Toy", sugerindo que a música é parte do discurso público que acompanha sua tentativa de explicação e pedido de perdão. Mas, segundo o músico, a canção não é o suficiente: ele revelou estar em terapia seis dias por semana há 70 semanas — “fiz as contas outro dia: mais de 430 sessões”, afirmou, delineando a dimensão quantitativa de seu compromisso com a recuperação.
Grohl explicou que a decisão de buscar ajuda não decorreu apenas do ato de admitir a traição, mas de um acúmulo de sinais e um momento de exaustão emocional. “Por várias razões, encontrei-me num ponto em que precisava parar, ficar comigo mesmo e me reavaliar. Sentia-me puxado emocionalmente em direções diferentes, sem um ponto de referência, sem equilíbrio”, disse o frontman, numa fala que ecoa como um espelho do nosso tempo: a vida pública que consome privado e complica a memória afetiva.
O músico também admitiu ter lidado com uma espécie de dependência do sucesso, uma sensação de vazio que surge após atingir metas pessoais — uma armadilha comum no cenário de celebridade: “Depois de alcançar um objetivo pessoal, pode vir um sentimento de vazio e aí você pensa ‘preciso preencher isso com outra coisa’”, comentou, deixando claro que esse mecanismo psicológico não serve como justificativa para a infidelidade.
Para Grohl, escrever canções tem um poder catártico — “às vezes é suficiente” —, mas ele ressalta que havia necessidade de um trabalho terapêutico mais profundo. “Eu não parava comigo mesmo, não deixava os sentimentos irem da cabeça para o coração. Cheguei ao ponto de pensar: tenho que parar, desligar tudo e reencontrar meu coração”, concluiu.
Na leitura cultural, a trajetória de Grohl é um pequeno roteiro do impacto da fama sobre a intimidade: o artista que virou espelho das contradições contemporâneas, tentando reescrever sua história pessoal diante de um público que consome tanto o hit quanto a confissão. Sua dedicação intensa à terapia e o reconhecimento de suas falhas compõem um capítulo sobre responsabilidade, reparação e a difícil transição do reconhecimento público para a reconstrução privada.
Data da entrevista: 23 de março de 2026.