Dimore históricas: Patrimônio privado que impulsiona valor público e o PIB
Ampliação do Art Bonus, simplificação burocrática e reconhecimento econômico das dimore históricas para turismo, emprego e restauração.
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Dimore históricas: Patrimônio privado que impulsiona valor público e o PIB
Por Chiara Lombardi — Em um encontro que soou como um roteiro político e cultural, a Assembleia anual da Associação Dimore Storiche Italiane (ADSI), realizada no Teatro Argentina de Roma, desenhou um quadro claro: as dimore históricas não são apenas peças de museu, mas atores econômicos e sociais capazes de moldar o país. A mesa, intitulada “Patrimônio privado, valor público: o papel das dimore históricas para o sistema Paese”, reuniu ministros, parlamentares e gestores culturais para discutir medidas concretas de preservação, sustentabilidade e valorização.
Convidados como o ministro da Agricultura Francesco Lollobrigida, o ministro da Justiça Carlo Nordio, o vice-ministro da Economia Maurizio Leo, e parlamentares como Giorgio Mulè, Maurizio Lupi e Irene Manzi colocaram suas visões. Entre os nomes do setor cultural estavam Francesco Spano (Federculture), Flavio Valeri (FAI), Antonio Calabrò (Museimpresa) e Maria Pace Odescalchi, presidente da ADSI, que abriu a sessão com dados que funcionam como um diagnóstico e uma chamada à ação.
O VI relatório do Observatório sobre o Patrimônio Cultural Italiano confirma números que merecem destaque: cerca de 46 mil bens culturais privados espalhados por todo o território, com quase 30% localizados em municípios com menos de 5 mil habitantes, onde atuam como presídios identitários. Aproximadamente 60% desses bens gera valor direto em setores como Turismo, Cultura e Agricultura, contribuindo também para a ocupação jovem. Em 2024, mais de 35 milhões de visitantes foram contabilizados, impulsionados por mais de 20 mil iniciativas abertas ao público.
Na manutenção, o painel revelou que 85% dos intervenções são autofinanciados, com despesa média superior a €50 mil por ano por bem. Os investimentos em restauro alcançaram €1,2 bilhão para intervenções extraordinárias em 2024 e mais de €1,9 bilhão no total — números que, simbolicamente, representam mais de 10% da variação do PIB registrada em 2023. E há uma margem de crescimento: mais de 10 mil dimore estariam prontas a ampliar atividades se o quadro normativo fosse favorável.
Do debate emergiram propostas precisas: a ampliação do Art Bonus para os bens culturais privados administrados por fundações e entidades do terceiro setor; a simplificação burocrática e redução dos prazos para emissão de Scia; criação de infraestruturas locais que favoreçam acessibilidade e fruição; e o reconhecimento do valor econômico da preservação privada como motor do PIB. A Federculture também sugeriu harmonizar a IVA para restaurações e atividades culturais, reduzindo-a dos 22% atuais para 5%, em consonância com outros países europeus.
Mais do que medidas técnicas, o encontro evocou uma ideia: as dimore históricas funcionam como um espelho do nosso tempo — peças que refletem memórias e projetam possibilidades. Como quem reescreve um roteiro, a política cultural pode escolher entre a manutenção estática ou a reinvenção ativa. Ao reconhecer o patrimônio privado como valor público, abre-se um novo capítulo em que a preservação torna-se política de desenvolvimento, identidade e coesão territorial.
Se o patrimônio é o filme da nação, hoje foi projetado com clareza o trailer de uma política que quer transformar conservação em crescimento sustentável.