Domenico Di Caterino em 'Pink': a arte como instrumento da vida no coração de Nápoles

Domenico Di Caterino e a mostra 'Pink' em Nápoles: arte como instrumento da vida, memória e intervenção urbana até 23 de abril.

Domenico Di Caterino em 'Pink': a arte como instrumento da vida no coração de Nápoles

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Domenico Di Caterino em 'Pink': a arte como instrumento da vida no coração de Nápoles

Por Chiara Lombardi — A conversa com Domenico Di Caterino tem o ritmo de um ensaio cinematográfico: cortes precisos, planos longos sobre a cidade e uma voz que busca mais do que estética — procura sentido. Em cartaz, até 23 de abril, está a mostra Pink, curada por Di Caterino na galeria de Gino Ramaglia (via Broggia, Napoli), com o núcleo intitulado "Carte" em memória de Pietro Romano. O evento se apresenta como um espelho do nosso tempo, onde a cor rosa funciona como lente para ler urgências e memórias.

Artista nascido em Nápoles e conhecido também como Casse1973, Di Caterino percorreu trajetórias entre cenas alternativas da cidade, uma etapa em Cagliari para o ensino e o regresso a Nápoles depois de um difícil "dissesto personale". Ao falar da sua prática, enfatiza que a arte deve ser "um instrumento ao serviço da vida": não mero ornamento, mas ferramenta de intervenção e ligação com um «altrove» espiritual.

Viver e trabalhar na periferia de Nápoles — em San Giovanni a Teduccio, onde leciona escultura no Don Lorenzo Milani — é uma escolha que funciona como um dispositivo poético e político. Di Caterino mora diante de Porta Capuana, a antiga entrada medieval que simboliza o limite entre o dentro e o fora. É ali que se aglutina a sua produção: iniciativas 'street', peças que “viajam” — por correio e por automóvel — e projetos pensados para a praça pública, com destaque para a operação que vem se desenvolvendo em Piazza Municipio.

O percurso do artista inclui confrontos e diálogos com a crítica estabelecida — recorda-se o episódio com Bonito Oliva em 2005 — e colaborações com publicações como Flash Art e Exibart. Ainda assim, Di Caterino insiste em afirmar sua independência criativa: prefere abandonar rótulos e buscar uma conexão espiritual com o que chama de «altrove», uma dimensão onde a arte reconfigura narrativas pessoais e coletivas.

Na curadoria de Pink e em suas ações urbanas, há uma semiótica do viral e uma consciência do roteiro oculto da sociedade: usar a cor, o espaço público e a memória para provocar reflexões que ultrapassam o simples olhar. A exposição "Carte" é, assim, também um gesto de memória ativa — um reframe da realidade que convida o espectador a ler as páginas da cidade como se fossem cenas de um filme em progresso.

Para Chiara Lombardi, que acompanha o entrelaçar entre cultura pop e impacto social, a obra de Di Caterino funciona como uma lente: revela como a produção artística contemporânea pode operar como serviço à vida, cura simbólica e prática interventiva. O que nos deixa é um convite a atravessar os limiares: entre dentro e fora, memória e presença, arte e sobrevivência. Em Nápoles, esse convite tem tom e cor — e, por enquanto, é rosa.