Dua Lipa e o refúgio palermitano: dono do 'Dal Barone' conta encontros, vinho biodinâmico e o desejo de retorno
Dua Lipa visitou o pub Dal Barone em Palermo: dono fala sobre vinhos biodinâmicos, encontros discretos e o desejo de vê-la voltar ao local.
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Dua Lipa e o refúgio palermitano: dono do 'Dal Barone' conta encontros, vinho biodinâmico e o desejo de retorno
Por Chiara Lombardi — Há momentos em que a cultura pop funciona como um espelho do nosso tempo: pequenos refúgios, descobertos por vozes globais, transformam-se em cenários de significado. É esse o caso do pub Dal Barone, em via Alessandro Paternostro, em Palermo, citado por Dua Lipa em um vídeo de Vogue Italia sobre os lugares preferidos da cantora na ilha. Conversamos com Fabrizio Vaccarisi, o proprietário, que descreve com delicadeza o encontro da vida cotidiana com o estrelato.
“Siamo davvero felici per questa bella recensione di Dua Lipa del mio locale”, diz Vaccarisi, com o orgulho contido de quem administra um espaço modesto e autêntico. Segundo ele, a popstar esteve ali duas vezes em dois dias: “Quando venne la prima volta, io non riconobbi subito. Mio figlio mi disse: ‘Papà, ma sei vecchio’…”, recorda, em tom bem-humorado. Na segunda visita ela retornou, mas sem alarde — e sem que o dono cedesse ao tratamento VIP. “Per me sono tutti uguali”, afirma, preservando a igualdade entre clientes como princípio do seu pequeno estabelecimento.
O Dal Barone é descrito no Instagram como “um pequeno ponto de encontro para amantes do vinho artesanal”, com decoração em madeira, uma ampla carta de vinhos naturais e biológicos originários da Sicília, além de produtos artesanais de produtores locais. É exatamente essa atmosfera intimista que, segundo Vaccarisi, atraiu a cantora: “Per lei un aperitivo ‘Dal Barone’ è un momento di completo relax: ci si può godere il tempo libero tra un gioco a carte e un bicchiere di vino”.
Sobre o que foi servido naquelas noites: a escolha foi por dois rótulos do tipo Orange, vinhos biodinâmicos de produção artesanal — um clássico entre os vinhos naturais que, pela textura e presença, dialoga com o desejo contemporâneo por autenticidade. “I nostri vini sono tutti autoctoni. Sono fatti da vignaioli biodinamici”, explica Vaccarisi, acrescentando que a cantora e seu companheiro permaneceram sentados na rua por pelo menos três horas, desfrutando da normalidade efêmera que a cidade ofereceu.
O episódio evita o excesso de exposição: poucos cliques furtivos apareceram nas redes, e ninguém perturbou a artista para preservar seu momento. Há também um episódio curioso e até um pouco cinematográfico: o pub foi contatado para organizar um aperitivo relacionado ao casamento da cantora, mas questões logísticas — e o tamanho reduzido do estabelecimento — impediram que o sonho se tornasse realidade. “Sarebbe diventato troppo problematico”, disse Vaccarisi.
Com a aparição no vídeo da Vogue Italia, chegaram mensagens e felicitações. “Io non ne sapevo nulla. Siamo comunque contenti. Spero che Dua Lipa torni presto. Adesso la riconoscerei…”, conclui ele, numa mistura de surpresa e desejo simples: que a artista volte para repetir a cena do vinho, do acaso e da rotina preservada.
Este encontro entre uma superestrela global e um pub palermitano funciona como uma pequena narrativa sobre como o consumo cultural se cruza com a memória local: é o roteiro oculto da sociedade, onde a autenticidade de um vinho biodinâmico pode significar mais do que um rótulo — é um reframe da realidade, um abraço entre o ínfimo e o icônico. Se o mundo contemporâneo é espelho e cenário, então pequenos lugares como o Dal Barone nos lembram que a verdadeira cena cultural muitas vezes acontece em mesas de madeira, ao entardecer, com um copo de Orange na mão.

