Eros Ramazzotti operado nas cordas vocais: especialista explica riscos, recuperação e impacto na turnê
Eros Ramazzotti foi operado nas cordas vocais; especialista explica riscos, tratamentos e o impacto na turnê. Entenda recuperação e prognóstico.
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Eros Ramazzotti operado nas cordas vocais: especialista explica riscos, recuperação e impacto na turnê
Por Chiara Lombardi - Espresso Italia
O cantor Eros Ramazzotti passou por uma intervenção nas cordas vocais, um episódio que, ao mesmo tempo, acende o alarme sobre os riscos da profissão e revela o cuidado necessário com a voz enquanto instrumento. O otorrinolaringologista e pesquisador Francesco Mozzanica, diretor da Unidade de Otorrinolaringologia do Ospedale San Giuseppe - Gruppo MultiMedica e professor na Università degli Studi di Milano (La Statale), comenta que este tipo de intercorrência não é incomum entre os que fazem da voz o seu ofício.
"A causa de nódulos, pequenos edemas e outras formações benignas é o uso intensivo da voz", explica Mozzanica. Em termos práticos, os problemas nas cordas vocais podem variar bastante: desde nódulos e edemas até lesões benignas que surgem pela sobrecarga prolongada. O repertório de intervenções terapêuticas também é conhecido: repouso vocal, reabilitação com fonoaudiologia (ou logopedia) para reaprender um uso mais eficiente da voz, e, quando necessário, a cirurgia.
Mozzanica salienta que, embora não saiba o tipo exato de procedimento a que Ramazzotti se submeteu, é certo que seguirá um período de reabilitação vocal. "Na maioria dos casos, o tratamento conservador resolve; em outros, dependendo do diagnóstico, é preciso intervir cirurgicamente", diz o especialista. A recuperação exige disciplina: repouso, exercícios guiados e uma reeducação vocal que visa não só recuperar timbre e alcance, mas preservar a saúde da laringe a longo prazo.
O cantor comunicou também a suspensão da etapa norte-americana de sua turnê "Una Storia Importante World Tour", que teria início em Toronto, no dia 16 de outubro, com shows previstos em Boston, Nova York, Chicago, Miami e Los Angeles, antes de seguir pela América Latina — México, Colômbia, Chile e Brasil. Após a cirurgia, Ramazzotti tranquilizou seus fãs: "A operação nas cordas vocais correu bem. Agradeço a todos pelas mensagens de carinho e proximidade".
Do ponto de vista cronológico, Mozzanica observa que Ramazzotti marcou retorno para 2027. Considerando que até o fim do ano faltam pouco mais de três meses, o tempo para uma recuperação inicial existe, mas dependerá do tipo de intervenção e da adesão ao protocolo de reabilitação.
Como analista cultural, vejo neste episódio um pequeno espelho do nosso tempo: a voz do artista — literal e simbólica — sofre as mesmas pressões de uma era que exige exposição constante. A trajetória de cura é também um reframe — a oportunidade de repensar práticas, pausas e limites. A voz, afinal, é um instrumento frágil que carrega memórias, identidades e histórias. Cuidá-la é cuidar do roteiro oculto que cada artista narra ao público.
Para os fãs e profissionais do palco, fica a lição técnica e humana: prevenção, escuta atenta do corpo e respeito aos tempos de recuperação são tão importantes quanto o bis final. E para o próprio Ramazzotti, o retorno programado em 2027 deverá ser menos apenas um calendário e mais um ato de renovação.

