Eurovision 2026 muda regras de votação: voltam as jurias nas semifinais e fim dos “supertelevotos”
EBU anuncia novas regras para Eurovision 2026: jurados nas semifinais, limite aos votos e controles para evitar campanhas e fraudes.
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Eurovision 2026 muda regras de votação: voltam as jurias nas semifinais e fim dos “supertelevotos”
A poucos meses do 70º aniversário do festival, a EBU (European Broadcasting Union) anunciou uma revisão profunda do sistema de votação do Eurovision para reforçar confiança, transparência e integridade. As novidades visam responder às controvérsias das últimas edições e reposicionar o concurso não só como um espetáculo de massa, mas como um espelho do nosso tempo que precisa equilibrar popularidade e mérito artístico.
A mudança mais visível será o retorno das juries profissionais nas semifinais. Depois de edições decididas majoritariamente pelo televoto, a EBU restabelece um peso aproximado de 50% para o público e 50% para os jurados já nas eliminatórias, como já ocorre na final. A intenção declarada é premiar não apenas o apelo popular, mas também a solidez técnica e criativa das performances — um reframe que busca evitar resultados distorcidos por ondas de votação concentrada.
O painel de jurados foi ampliado: passa de 5 para 7 membros, com perfis mais diversos — críticos e jornalistas musicais, docentes, coreógrafos, diretores e outros profissionais da indústria. Pela primeira vez cada júri deverá incluir pelo menos dois jurados entre 18 e 25 anos, reconhecimento do crescente peso do público jovem no fenômeno Eurovision e tentativa de alinhar a sensibilidade profissional às tendências emergentes.
Outra alteração significativa incide sobre o televoto. A partir de 2026, o número máximo de votos permitidos por usuário para cada método de pagamento (SMS, chamada ou voto online) será reduzido de 20 para 10. A medida tem duplo objetivo: limitar os chamados supertelevotos e incentivar uma distribuição de preferências entre mais artistas, desestimulando estratégias de votação massiva concentrada em um único país.
O mecanismo do Rest of the World Vote, que permite a participação de fãs fora da Europa, permanece em vigor e continuará a atribuir um conjunto de pontos equivalente ao de uma nação participante.
As reformas surgem após ampla consulta interna da EBU, desencadeada pelas tensões políticas e midiáticas da edição de 2025. O novo regulamento endurece limites contra campanhas promocionais consideradas desproporcionais, especialmente quando apoiadas por governos, agências estatais ou terceiros. Em resumo: emissoras e artistas não poderão facilitar ou contribuir para campanhas externas que distorçam o resultado — e violações poderão acarretar sanções.
Como sinal disso, a EBU emitiu recentemente um aviso formal ao broadcaster israelense KAN, exigindo a remoção de vídeos promocionais que instruíam o público a votar 10 vezes por Israel. Paralelamente, foram implementados controles técnicos mais avançados para identificar padrões de votação coordenada ou fraudulenta. A EBU trabalhará em conjunto com a Once, parceira oficial do televoto, para monitorar e investigar qualquer anomalia.
Essas mudanças não são apenas um ajuste técnico: são um reposicionamento simbólico do Eurovision como arena cultural onde o espetáculo encontra a responsabilidade — o roteiro oculto da sociedade refletido em votos, estratégias e estética. No centro está a tentativa de reconstruir confiança numa votação que deve ser, ao mesmo tempo, democrática e justificada pelo critério profissional.