Francesca Manzini no GF Vip: 'Pensaram que eu fosse amante de Totti' e críticas à body positivity

Francesca Manzini retorna ao Grande Fratello Vip, comenta boatos sobre Totti, critica a body positivity e mira Sanremo. Uma leitura afiada do entretenimento.

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Francesca Manzini no GF Vip: 'Pensaram que eu fosse amante de Totti' e críticas à body positivity

Por Chiara Lombardi — Num espelho do nosso tempo, a comediante e imitadora Francesca Manzini retorna ao centro do entretenimento ao integrar o elenco do Grande Fratello Vip, que estreia na noite de terça-feira, às 22h, na Canale 5. Entre imitações célebres e declarações que já circulam como memes, Manzini oferece uma leitura afiada do que significa ser voz do público na era dos reality shows.

Conhecida por reproduzir vozes que vão de Sabrina Ferilli a Chiara Ferragni e Asia Argento, Manzini diz que prefere o papel de vox populi: "Gosto desse lugar, tiro fora o medo e digo aquilo que as pessoas comuns nem sempre têm a chance de dizer. Não faço cálculos, ali sou verdadeira e autêntica". É um posicionamento que funciona como um reframe da realidade: a imitadora não apenas replica um gesto ou um timbre, ela devolve através do humor um espelho crítico sobre a sociedade.

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Sobre uma frase que viralizou — "i ricchi non ce la fanno più" — Manzini esclarece que fazia parte de um raciocínio maior sobre figuras como Draghi e Monti, pressão fiscal e um controle excessivo: uma provocação com tom político-econômico que acabou sendo reduzida ao golpe publicitário de uma sentença isolada. "Muita gente me elogiou", conta ela, lembrando que a comédia muitas vezes age como lente de aumento sobre timbres e contradições sociais.

Ao comentar a condução de Ilary Blasi — uma de suas vítimas preferidas no repertório de imitações — ela sorri: "A chamarei de 'sore'. Sempre tivemos estima e simpatia". E é justamente uma story de Ilary, em frente a um Rolex marcada com tags para Manzini e Totti, que gerou uma das confusões mais curiosas: "Muitos pensaram que eu fosse amante de Totti. Tive de explicar que não era verdade; e, com meu pai — histórico team manager da Lazio — a situação era um derby impossível".

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Sobre críticas esperadas no formato, Manzini ironiza: Selvaggia Lucarelli? "É como a Agenzia delle Entrate: intimida antes mesmo de você tentar se explicar, mesmo que esteja em dia com tudo". E sobre a onda atual de aceitação corporal, ela não poupa palavras: chama a body positivity de "uma bobagem". É uma afirmação pronta para controvérsia, mas que exige leitura: Manzini não apenas provoca; ela testa o pulso do público e provoca o debate sobre autenticidade versus performatividade nas mídias.

Aos olhos profissionais, a sua meta é prática: reconquistar os números de telefone dos produtores. "Vou ao GF Vip para que os profissionais voltem a ligar para mim. E, claro, sonho com o palco de Sanremo — quem não sonha?". O percurso de Manzini começou em programas como Festa Italiana, e passou por um marco decisivo em Striscia la notizia, que ela define como sua consagração: "Antonio Ricci marcou minha carreira".

Há também humor familiar nessa trajetória. Lembra quando o pai, ao ouvi-la dizer que receberia 100 euros para ir à TV, ficou espantado: "É uma truffa, não podem dar tão pouco para alguém tão talentosa". É preciso ver aí um eco cultural — a expectativa sobre valor artístico frente às dinâmicas de mercado do espetáculo.

Francesca Manzini entra no Grande Fratello Vip numa temporada que promete renovar o formato. Para além das piadas prontas, sua presença abre uma janela para discutir o papel do imitador: figura ambígua entre a sátira e a crítica social, aquele que reescreve vozes e, ao fazê-lo, nos obriga a escutar quem somos. É esse o roteiro oculto da sua escolha — voltar ao entretenimento para reescrever, com humor e espelho, a narrativa da própria carreira.

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