Fulminacci lança 'Calcinacci' após sucesso em Sanremo: uma reconstrução artística
Fulminacci lança 'Calcinacci' após Sanremo: álbum-terapia e curta homônimo estreiam entre Roma, Nápoles e Milão.
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Fulminacci lança 'Calcinacci' após sucesso em Sanremo: uma reconstrução artística
Hoje chega às plataformas e às prateleiras o novo trabalho do cantor romano Filippo Uttinacci, mais conhecido como Fulminacci. O disco, intitulado Calcinacci, surge como uma espécie de inventário emocional feito entre as ruínas de um período difícil — e ganha voz também na tela com um curta‑metragem homônimo projetado em estreia especial em cinemas de Roma, Nápoles e Milão.
A participação no Festival de Sanremo com a canção Stupida sfortuna foi, para ele, mais do que uma vitrine: foi uma confirmação. Além do reconhecimento do público, Fulminacci levou para casa o Prêmio da Crítica 'Mia Martini' e o Prêmio Assomusica Sanremo 2026 de melhor performance ao vivo — marcos que, segundo o artista, não transformaram sua essência, mas ampliaram a plateia que agora o descobre.
“Vivi Sanremo de um jeito que ninguém viveu: eu me permiti aproveitar cada instante. No final, ganhei do meu jeito”, conta ele, em uma prosa que mistura modéstia e convicção. A canção, explica, entrou no mainstream por um refrão direto, mas manteve sua intimidade: “É uma música minha”, afirma. E sobre os novos olhares que o chamam de sex symbol, responde com leve ironia: “Me divirto, levo na esportiva. Pergunto: onde vocês estavam antes?” — lembrando que, apesar do público ter crescido, ele se sente o mesmo artista que chegou ao festival.
A mudança interna é, contudo, palpável. Na primeira participação em Sanremo, ele admite ter se sentido “um filhote assustado”. Hoje, com mais domínio e foco, Fulminacci fala de uma maturidade que passa pelo aceito do erro: “Superei a ansiedade e entendi que errar não é o fim. Se erro, tudo bem — sou uma pessoa.” Esse aprendizado teve manifestações físicas: chegou a paralisar as mãos enquanto tocava, uma experiência que também foi ultrapassada.
O álbum Calcinacci nasce como uma terapia. Construído depois do término de um relacionamento de sete anos, o processo criativo foi lento, orgânico e essencialmente romano. “Escrevi entre 14h e 3h da manhã. Sem horários, sem pressa. Acordava feliz por saber que meu único compromisso era escrever”, revela. Essa cadência íntima e sem pressa imprime ao disco uma sensação de reconstrução serena — como quem recompõe uma cena cinematográfica quadro a quadro.
Para estender o gesto artístico para além das canções, o cantor é também coautor e protagonista do curta Calcinacci, dirigido por Bendo e Filiberto Signorello, com nomes como Pietro Sermonti e Francesco Montanari no elenco. O filme amplia o universo do álbum, oferecendo um espelho visual para as paisagens emocionais que as faixas exploram.
Em suma, a nova fase de Fulminacci é, mais do que um lançamento, um reframe: uma obra que transforma vestígios em narrativa, mesma matéria-prima que alimenta a cultura pop e a memória coletiva. É música que não só entretém, mas reconstrói — e convida o ouvinte a se reconhecer nesse processo.


