Geração Z transforma a informação: digital domina enquanto TV segue forte entre Millennials

Como a Geração Z consome informação: digital domina o tempo e redes como TikTok, YouTube e Instagram reformulam a noção de notícia.

Geração Z transforma a informação: digital domina enquanto TV segue forte entre Millennials

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Geração Z transforma a informação: digital domina enquanto TV segue forte entre Millennials

Geração Z transforma a informação: digital domina enquanto TV segue forte entre Millennials

Por Chiara Lombardi — A recente mobilização eleitoral mostrou que a voz dos mais jovens não é apenas ruidosa, é decisiva. Nos referendos citados pelos institutos, a faixa entre 18 e 24 anos compareceu em massa às urnas (67,1% de participação) e votou majoritariamente No (58,5%). Feito o cálculo com os dados do ISTAT, isso se traduz em pouco menos de 1,3 milhão de votos jovens a favor do No e cerca de 900 mil a favor do Sim. Mas a pergunta que ecoa no set do debate público é outra: como essa Geração Z se informou antes de ir às urnas?

O cenário é um verdadeiro espelho do nosso tempo. A análise do CeRTA em parceria com Sensemakers revela que, em 2025, o consumo de mídia da população adulta ainda é majoritariamente televisivo — 68% do tempo na TV contra 32% em consumo digital, sobretudo em telas pequenas conectadas, como o smartphone. Mas essa proporção se inverte quando olhamos para os mais jovens: entre 18 e 24 anos, o digital representa 59% do tempo, enquanto a televisão fica com 41%.

Esse deslocamento não significa que a TV desapareceu; ela permanece hegemônica entre os maiores de 45 anos (75% do tempo). O que muda é o roteiro oculto da sociedade: para a Geração Z, a jornada informativa passa por feeds, vídeos curtos e interfaces construídas para o deslizar contínuo — onde o conceito tradicional de "notícia" é ampliado e mesclado a conteúdos de entretenimento e formatos nativos das plataformas.

Detalhando os hábitos online, o estudo mostra que os jovens canalizam a maior parte do tempo em atividades não-lineares: entretenimento (43%), redes sociais (31%), mensagens (9%), jogos (10%) e comércio eletrônico (4%). Nesse elenco digital, as plataformas que mais pesam são TikTok, YouTube e Instagram. E, segundo uma pesquisa do CeRTA para a RAI, a obtenção de informação pela Geração Z acontece predominantemente por meio do scroll nos feeds das redes: uma notícia rápida, uma narrativa condensada, que mistura fontes institucionais com a voz de influencers e creators.

Essa metamorfose no consumo de notícias é o próprio cenário de transformação que ilumina o porquê da influência juvenil nas urnas: não se trata apenas de onde encontram a notícia, mas de como a informação é construída, compartilhada e legitimada no ecossistema digital. A notícia deixou de ser apenas um produto jornalístico; virou parte de uma paisagem cultural onde credibilidade, emoção e estética se entrelaçam.

Para quem observa o zeitgeist — eu, enquanto analista cultural entre Milão e São Paulo —, isso aponta para desafios e oportunidades. Os veículos tradicionais não somem: precisam reescrever seus roteiros para dialogar com formatos e linguagens novos, sem perder a função de verificação e contexto. Os criadores e as plataformas, por sua vez, têm a tarefa ética de transformar alcance em responsabilidade.

Em colaboração com Massimo Scaglioni, a elaboração do CeRTA-Sensemakers confirma que a batalha pela atenção já está vencida pelo algo que é, ao mesmo tempo, espetáculo e informação. Resta-nos decifrar como a democracia e a memória coletiva se formam nesse novo enquadramento — um verdadeiro reframe da realidade que pede leitura atenta.

Fonte: CeRTA com Sensemakers; pesquisa CeRTA para RAI; dados ISTAT. Texto publicado em 28 de março de 2026.