Gianmarco Tognazzi em 'Ciao Maschio': 'Meu sobrenome é responsabilidade, não um peso'

Gianmarco Tognazzi diz em 'Ciao Maschio' que o sobrenome é responsabilidade, não peso; lembra busca por aprovação paterna e o medo ao subir a escadaria de Sanremo.

Gianmarco Tognazzi em 'Ciao Maschio': 'Meu sobrenome é responsabilidade, não um peso'

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Gianmarco Tognazzi em 'Ciao Maschio': 'Meu sobrenome é responsabilidade, não um peso'

Em uma conversa franca e íntima no programa 'Ciao Maschio', Gianmarco Tognazzi aceitou desmontar, com a elegância de quem conhece a cena, boas e más leituras sobre legado e identidade. Convidado por Nunzia De Girolamo, o ator falou sobre a busca prolongada por um afeto tão simples quanto decisivo: a aprovação do pai. Um percurso tão humano quanto universal, que Tognazzi descreve como um objetivo profundamente pessoal e libertador quando alcançado.

Ele recorda que, em casa, o pai oferecia liberdade, mas guardava a aprovação explícita com parcimônia. Esse equilíbrio, que poderia se transformar em drama familiar, foi para Gianmarco menos uma sentença e mais um mapa de autoconsciência. ‘‘Raggiunto quell’obiettivo ovviamente per me è il premio più grande’’, traduziu em prática: o reconhecimento paterno como um troféu íntimo, não como uma medalha pública.

O tema que mais permeou a entrevista — e que sempre reaparece quando se fala em dinastias artísticas — foi o peso do sobrenome. A resposta de Gianmarco foi direta e propositalmente deslocadora: ‘‘A mim não me pesa, claro que é uma responsabilidade, mas não me pesa. Mas a vocês, que me perguntam continuamente, quanto isso pesa para vocês?'' Ao inverter o ponto de vista, ele transformou o sobrenome em espelho: o desconforto pode revelar mais sobre quem observa do que sobre quem carrega o nome.

Essa formulação não é apenas retórica; é um refrão contra a narrativa fácil de herdeiros que vivem à sombra. Para Gianmarco, a condição de filho de artista não se converteu em competição. ‘‘Almeno io non l’ho mai vissuto come un peso. Ripeto, come una responsabilidade, sì, ma non perché ci sia un confronto, una competizione’’. Assim, a história pública do sobrenome é lida por ele como dever moral e estético — um compromisso com a própria prática, não uma corrida para superar o progenitor.

O diálogo também traz um episódio que derruba a glamourização do palco: Gianmarco rememorou o momento de tensão vivenciado em Sanremo. Menos de um mês antes, ele havia sofrido uma séria lesão no joelho esquerdo, o que transformou a famosa descida da escadaria do Ariston em um teste de coragem corporal e simbólica. ‘‘O meu maior medo era escorregar naquela escada’’, confessou. A imagem do ator diante da escadaria funciona aqui como metáfora perfeita — o instante em que a vida artística se apresenta como roteiro e risco ao mesmo tempo.

Ao fim, a entrevista com Nunzia De Girolamo em 'Ciao Maschio' não oferece soluções fáceis, mas propõe uma reconfiguração da narrativa: o sobrenome visto como responsabilidade ética e estética, o confronto com o legado transformado em alavanca de criação, e o medo — secular e contemporâneo — revelando a condição humana por trás da celebridade. É um pequeno refrão sobre como o palco é, também, um espelho do nosso tempo.

Programa em exibição na plataforma RaiPlay e na Rai1 no sábado, 18 de abril.