Giffoni 2026: de Bella Ramsey a ‘Oceania’, o festival que aposta no futuro e nas 'coisas impossíveis'
Giffoni 2026 chega com 104 filmes, 5.000 jurados jovens e estreias como Oceania; tema 'Le cose impossibili' reúne música, debates e figuras globais.
RESUMO ✦
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Giffoni 2026: de Bella Ramsey a ‘Oceania’, o festival que aposta no futuro e nas 'coisas impossíveis'
Por Chiara Lombardi — Em seu papel de espelho do nosso tempo, o Giffoni Film Festival retorna em 2026 com números que soam como um roteiro épico para a juventude: 5.000 jurados muito jovens vindos de 35 países e de 500 borgos e cidades italianas; 104 filmes em competição escolhidos entre milhares de inscrições; 75 diretores internacionais presentes; 7 anteprima e 17 eventos especiais; mais de 100 talentos; e oficinas voltadas a 200 aspirantes a atores. Tudo isso entre 17 e 25 de julho, quando a pequena cidade de Giffoni Valle Piana, na província de Salerno, espera receber cerca de 300 mil presenças.
O tema desta edição é "Le cose impossibili" — uma convocação poética e política que funciona como um refrão para a programação: histórias que imaginam outros futuros, que reescrevem memórias e que desafiam o presente. Sustentado pela Região Campania, pelo Ministério da Cultura e em colaboração com o Comune di Giffoni Valle Piana, o festival quer ser, mais uma vez, o palco onde se negocia o sentido do contemporâneo entre as gerações.
Das 104 obras em competição, 42 são longas-metragens e 62 curtas — um mosaico global que promete desenhar com precisão o panorama emocional e aspiracional das novas gerações. Entre as anteprime, destacam-se Oceania (live action), o grande lançamento cinematográfico da Disney para o verão; Becoming Her: Prima di diventare grandi, documentário apresentado pela Disney+ e produzido pelo Juventus Creator Lab; além de uma prévia da nova série Sky Original sobre os 883 — "Nord Sud Ovest Est - La leggendaria storia degli 883" — e o biopic dedicado a Pino Daniele, Je so' pazzo.
O festival também reinventa a infância: volta o Zecchino d'Oro, com uma programação pensada para os mais pequenos. No time de talentos que cruzarão Giffoni estão nomes como Bella Ramsey, Sean Sexton, Matilda De Angelis e Massimiliano Gallo. Em 19 de julho, a Mediaset Infinity apresentará o restauro de La gabbianella e il gatto, em colaboração com o festival, com a participação do diretor Enzo D'Alò.
O programa Impact!, que reúne 200 jovens menores de 30 anos, foi desenhado para promover encontros com figuras que cruzam ciência, cultura, esporte e instituições: entre os confirmados estão Dacia Maraini, Piero Grasso, Francesca Albanese, Roberto Vecchioni, Walter Veltroni, a família Regeni (com a advogada Alessandra Ballerini), a ministra do Trabalho Marina Calderone e o vice-presidente da Câmara, Giorgio Mulè. Haverá também uma homenagem à presença histórica do presidente da República Giorgio Napolitano, com seus filhos Giulio e Giovanni.
A música ao vivo ganha destaque em colaboração com RDS e RDS Next: durante nove noites, 30 artistas se apresentarão gratuitamente na Piazza Fratelli Lumière. Entre eles, Francesco Gabbani, Sarah Toscano, Francesca Michielin, Nicolò Filippucci e Eiffel 65 animarão o encontro entre cinema e palco.
Como observa Luca Apolito, diretor artístico do Giffoni Film Festival, "é uma edição riquíssima" — e, acrescento, é também um festival para ser atravessado como se atravessa uma época: lendo rostos, ouvindo vozes e buscando na narrativa coletiva os sinais de um futuro em gestação. Em tempos em que o entretenimento carrega o peso de mapas identitários e memoriais, Giffoni permanece um laboratório onde o cinema juvenil não é apenas diversão, mas um reframe da realidade, uma semiótica do viral e um cenário de transformação social.
Entre workshops, debates e estreias, o festival se apresenta como um roteiro oculto da sociedade: insistente, esperançoso e necessário. Será ali, entre filmes e conversas, que se medirá o tanto que ainda podemos considerar impossível — e talvez o que é impossível comece a se tornar possível.