Giovanni Esposito: a risada é minha cura — entre LOL, Clooney e um possível Dopo Festival com De Martino
Giovanni Esposito vê a risada como cura e fala sobre LOL no Prime Video, autocensura na comédia e momentos com Clooney e Sandler.
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Giovanni Esposito: a risada é minha cura — entre LOL, Clooney e um possível Dopo Festival com De Martino
Por Chiara Lombardi — Na nova temporada do comedy show LOL – Chi ride è fuori (estreia em 23 de abril no Prime Video), chega Giovanni Esposito trazendo a mesma propensão que o tornou tão reconhecível: uma incapacidade quase aristocrática de resistir ao riso. Para Esposito, a risada não é apenas reação; é remédio. "Eu sou predisposto à risada sempre, e a minha mulher até brinca comigo: às vezes estamos vendo algo que objetivamente não faz tanto sentido e me encontra rindo. Ela diz: 'Mas você está rindo por isso mesmo?'", conta o ator.
Essa inclinação natural ao riso virou um desafio quando ele aceitou o convite para o programa: "Meu maior medo era não conseguir me conter". Para treinar, Esposito revela um preparo doméstico e afetivo — praticou com o zelador do prédio, fazendo jogos e piadas para tentar não rir. "Scherzavamo e eu não dovevo ridere, ma non ci riuscivo tanto" — traduzindo para a cena cotidiana: rir virou um exercício quase impossível de impedir.
Mas a entrevista vai além do riso: desenha um retrato do humor contemporâneo e das tensões que o cercam. Esposito aponta que a comédia hoje caminha em terreno minado pelo politicamente correto. Ele lembra uma situação no programa Stasera tutto è possibile, apresentado por Stefano De Martino, em que uma improvisação sobre tiques nervosos foi discutida por medo de ofender e acabou sendo retirada. "Era inofensiva, mas nós nos autocensuramos", diz, descrevendo esse gesto como equivalente a escrever uma cena magnífica e cortá‑la porque o custo social parece alto. Essa autocensura, segundo o ator, "influi na criatividade".
Há, também, uma confissão sobre o próprio mecanismo: ele se pega rindo sozinho diante de material que, em outro contexto, poderia ser considerado politicamente incorreto. "Existem comediantes americanos hoje que seriam banidos, e eu me descubro rindo e censuro a risada, mesmo sozinho". No mapa cultural que Esposito desenha, a velocidade das redes sociais também muda a gramática do humor: em feeds onde a atenção dura um minuto, fazer alguém pensar um pouco mais é um desafio.
Mesmo com certa nostalgia — "Sinto falta de Corrado Guzzanti, um gênio; e da comicidade dos tempos mais lentos, como Vianello" —, ele não se prende ao passado. O ator, nascido em Nápoles em 1970, começou no cinema em 1998 com Polvere di Napoli, dirigido por Antonio Capuano. Ganhou admiração popular via esquetes em Step, mas lembra sempre que é ator: transitou para produções internacionais e recentemente apareceu em Jay Kelly ao lado de George Clooney e Adam Sandler. "Mesmo com meu inglês, nasceram momentos lindos. Clooney é uma pessoa completa, sensível, cheia de assuntos. Sandler também é incrível", conta, rindo da cena mais surreal: jogar basquete com ambos.
No fio condutor da conversa, Esposito também acena a possibilidade mais leve e imaginativa: e se, com De Martino, ele fizesse um Dopo Festival ao estilo da 'Bar Stella'? É uma imagem que mistura a intimidade de um bar italiano com o pós‑show televisivo — um pouco de performatividade, um pouco de encontro, o tipo de cena que, como num filme, revela o que a cultura atual precisa: riso e conversa como cura social.
Ao final, a observação de Esposito soa quase como um manifesto minimalista: a risada nos reordena, nos devolve pedaços que pareciam perdidos. Em tempos dramáticos, ver as pessoas rirem é a pequena aposta de esperança de quem acredita que a arte do riso pode ser, também, um roteiro de renovação para o mundo.