Il Libro Possibile 2026 em Polignano a Mare: um chamado à liberdade e ao diálogo
Il Libro Possibile 2026 em Polignano a Mare: 4 dias de literatura, diálogo e o 'Discorso all’umanità' por 300+ convidados.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Il Libro Possibile 2026 em Polignano a Mare: um chamado à liberdade e ao diálogo
Como quem volta ao set onde tudo começou, Il libro possibile retorna a Polignano a Mare para celebrar sua XXV edição. Depois da parada londrina em março e da anteprima em junho com Drusilla Foer em Vieste, a kermesse italiana volta, agora com quatro dias intensos dedicados à literatura, ao jornalismo, às artes e à música — um verdadeiro espelho do nosso tempo.
De quarta-feira, 8, até sábado, 11 de julho de 2026, o festival ocupará sete cenários emblemáticos da cidade pugliese: piazza Aldo Moro, Lungomare Domenico Modugno (Largo Gelso), piazza dell’Orologio, o Il Libro Possibile caffè, Terrazza Santa Candida, a Biblioteca di Comunità Raffaele Chiantera e o Museo d'Arte Contemporanea Pino Pascali. É uma mise-en-scène urbana que transforma praças e mirantes em palcos de debate — o roteiro oculto da sociedade traduzido em conversas públicas.
A programação reúne mais de 300 convidados nacionais e internacionais. Entre os nomes confirmados estão Roberto Costantini, Gian Marco Chiocci, Cosimo Damiano Damato, Antonio Decaro, Erri De Luca, Umberto Galimberti, Gabriella Genisi, Massimo Giletti, Pietro Grasso, Federico Palmaroli, Pera Toons, Giorgio Perinetti, Pegag Moshir Pour, Rosario Sorrentino e Ivan Zazzaroni. Esses encontros prometem costurar narrativas diversas, do romance ao ensaio jornalístico, passando pela crítica cultural e pela música — uma galeria de vozes que compõe o mosaico contemporâneo.
O fio condutor desta vigésima quinta edição é o tema “Discorso all’umanità”, escolha da direção artística liderada por Rosella Santoro e inspirada no monólogo final de O Grande Ditador, de Charlie Chaplin. Em pleno século XXI, esse mote soa como um convite urgente à dignidade, à liberdade e ao diálogo num momento marcado por guerras, fragilidades democráticas, avanços tecnológicos disruptivos e novas vulnerabilidades sociais. A proposta do festival não é apenas entreter: é insistir na voz pública como arena de responsabilidade coletiva — a semiótica do viral transformada em responsabilidade cívica.
Dentro desse escopo nasce também o projeto “Discorso alla Pace”, pensado para ampliar o debate do Mediterrâneo ao mundo. Ao longo da XXV edição será lançado um ciclo de encontros focado nas principais guerras em curso, com especial atenção à questão israelo-palestinese. O festival aposta na multiplicidade de perspectivas, convidando quem vive o conflito a narrá-lo em primeira pessoa, numa tentativa de reframe que privilegia escuta e complexidade em vez de polarização.
Como analista cultural, vejo Il libro possibile como um espelho do nosso tempo: ao alinhar literatura e jornalismo com urgências políticas e humanitárias, o festival se coloca como um roteiro de resistência simbólica. Em suas praças, a conversa pública recupera a dimensão de espaço comum onde se negocia sentido, memória e responsabilidade — um cenário de transformação essencial para tempos turbulentos.
Para quem estiver em Puglia neste verão, o festival oferece não só encontros, mas uma experiência performática de cidade: debates ao cair da tarde, leituras à beira-mar e música como mapa afetivo. E para quem busca entender o “porquê” por trás do fenômeno cultural, a edição de 25 anos é um convite a observar como a cultura pública reage, se reinventa e insiste na liberdade como princípio fundante.
Além da etapa em Polignano a Mare, o programa segue entre 21 e 25 de julho com outras iniciativas, ampliando o alcance do festival. Em um tempo em que as palavras são frequentemente reduzidas a slogans, retornar a praças e bibliotecas para escutar vozes diversas equivale a resgatar o ofício do diálogo — porque, no fim, o festival oferece algo além do entretenimento: um espaço para aprender a escutar o outro.
Il libro possibile não é apenas um festival; é um chamado público à liberdade, à dignidade e à paz. E, como todo bom filme que nos obriga a olhar além da cena, ele nos deixa a pergunta: que narrativa vamos escolher para os próximos atos?