Internazionale Kids: o primeiro festival de jornalismo para crianças em Reggio Emilia discute IA, inclusão e biodiversidade

Internazionale Kids em Reggio Emilia: jornalismo para 7–14 anos discute inteligência artificial, inclusão, biodiversidade e identidade.

Internazionale Kids: o primeiro festival de jornalismo para crianças em Reggio Emilia discute IA, inclusão e biodiversidade

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Internazionale Kids: o primeiro festival de jornalismo para crianças em Reggio Emilia discute IA, inclusão e biodiversidade

Em um cenário que costuma exigir tradução entre o complexo e o cotidiano, a sexta edição do Internazionale Kids ergueu um palco para que crianças e adolescentes aprendessem a ler o mundo. Realizado em Reggio Emilia, entre 8 e 10 de maio, o festival se consolida como o primeiro festival de jornalismo dedicado a leitores de 7 a 14 anos — com programação pensada também para adultos: pais, professores e educadores.

Mais do que respostas prontas, a proposta foi oferecer ferramentas: encontros, oficinas e narrativas que exercitam a curiosidade, ensinam a formular perguntas e treinam o olhar crítico. Em tempos nos quais a notícia é um espelho multifacetado do presente, o evento quis mostrar que informar é também um exercício de tradução cultural e ético — o reframe necessário para que crianças entendam o que acontece além das manchetes.

Os temas percorreram do técnico ao sensível. A inteligência artificial e os algoritmos foram discutidos com linguagens acessíveis; houve atividades sobre a transformação da matéria e a biodiversidade; oficinas experimentais com microalgas; e até um olhar lúdico sobre os clássicos, como os mistérios de Agatha Christie, para explorar a construção de histórias e pistas.

Além disso, uma seleção de podcasts voltados ao público jovem foi exibida, e oficinas variadas convidaram as crianças a criar novas palavras, usar números para contar o mundo e experimentar técnicas manuais — cerâmica, bordado — como formas de narrar. Não faltaram também espaços para refletir sobre identidade, o uso de pronomes e os direitos, mostrando que jornalismo e cidadania caminham juntos desde cedo.

O festival comprovou a presença ativa das famílias. Muitos pais acompanharam filhos nas sessões, interessados em compartilhar leituras e debates. Annamaria De Blasio, por exemplo, descreveu que lê os jornais com a filha de 14 anos, ressaltando que assuntos como conflitos internacionais e inclusividade já fazem parte das conversas em casa — um gesto que reforça o papel educativo do jornalismo familiar e escolar.

Como analista cultural, vejo o Internazionale Kids como uma luz sobre o roteiro oculto da sociedade: ao ensinar jovens a decodificar fontes, a questionar algoritmos e a escutar vozes diversas, o festival atua como um estúdio de montagem da cidadania. É um convite para que o entretenimento e a informação se encontrem no centro do aprendizado, com sensibilidade europeia e alcance global.

O evento não pretende transformar crianças em repórteres profissionais, mas em leitores críticos do tempo. Em tempos de notícias instantâneas e complexas, essa formação inicial é um investimento para que as próximas gerações não apenas consumam informação — mas a examinem, reformulem e se responsabilizem por ela.