Irã desiste da Biennale de Veneza 2026: impossível montar o padiglione na 61ª Exposição

Irã anuncia retirada da Biennale de Veneza 2026 por impossibilidade de montar o padiglione nacional; evento mantém 100 participações e votação pública.

Irã desiste da Biennale de Veneza 2026: impossível montar o padiglione na 61ª Exposição

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Irã desiste da Biennale de Veneza 2026: impossível montar o padiglione na 61ª Exposição

Por Chiara Lombardi – Espresso Italia

A República Islâmica do Irã anunciou sua retirada da 61ª Esposizione Internazionale d’Arte da Biennale di Venezia, intitulada “In Minor Keys” e curada por Koyo Kouoh, marcada entre 9 de maio e 22 de novembro de 2026. A notícia, comunicada oficialmente pela direção da Biennale na segunda-feira, 4 de maio, explica que a delegação iraniana não conseguiu — em razão de circunstâncias externas — allestire il padiglione nazionale (montar o padiglione nacional).

O anúncio sucede a uma escalada do contexto geopolítico envolvendo Estados Unidos e Israel: o país, que havia confirmado sua participação em fevereiro e nomeado o crítico e curador Aydin Mahdizadeh Tehrani como comissário, agora declara ser impossível levar adiante o projeto previamente delineado. Em termos simbólicos, a ausência do Irã transforma-se em um reflexo do atrito entre política internacional e circulação cultural — o roteiro oculto que frequentemente reescreve o mapa das mostras globais.

Apesar da lacuna, a Biennale mantém números expressivos: a lista oficial indica 100 Participações Nacionais. A essa lista juntaram-se, após o anúncio do dia 4 de março, a República Unida da Tanzânia e a República das Seychelles. Em paralelo, o festival passou por episódios institucionais relevantes: a demissão da Giuria internazionale (julgamento internacional) suscitou uma reorganização do prêmio, que agora contará com uma votação dos visitantes — os novos Leoni dei Visitatori serão atribuídos por escolha do público entre 9 de maio e 22 de novembro.

O cenário de incertezas inclui ainda medidas de exclusão e polêmica: relatos recentes indicaram controvérsias sobre a presença de Rússia e Israel nos prêmios, e a própria renúncia da giuria internacional foi associada a inspeções e decisões internas da Biennale. Em tese, a instituição busca manter a centralidade do confronto de ideias; nas palavras do prefeito de Veneza, Luigi Brugnaro, o debate cultural — por vezes ruidoso — é componente essencial do evento.

No nível regional, o presidente do Vêneto, Luca Zaia, saudou a iniciativa de abrir a decisão dos prêmios a uma ampla giuria popolare, demonstrando confiança na inteligência coletiva do público como curador informal. A criação de prêmios decididos pelos visitantes reforça a ideia de que a Biennale, ainda que atravessada por tensões geopolíticas, permanece um laboratório público onde se testam novos formatos de reconhecimento e participação.

Como analista cultural, vejo a ausência iraniana não apenas como um imprevisto logístico, mas como um sintoma do modo pelo qual a arte contemporânea se posiciona no epicentro de conflitos — ela é, de novo, espelho do nosso tempo. A falta do padiglione revela a fragilidade dos circuitos culturais diante de pressões externas, mas também abre espaço para repensar o que significa representar uma nação em um palimpsesto internacional. Se a Biennale é uma vitrine, este episódio nos convida a olhar para os bastidores: o que acontece quando a política corta o fio que liga obra, artista e público?

Enquanto Veneza inaugura sua 61ª edição sem o pavilhão iraniano, a exposição prossegue com um programa amplo e diversos pontos de tensão e inovação. A arte, como sempre, segue atuando como cenário de transformação — e nós, espectadores críticos, continuamos a decifrar seu eco cultural.