Iva Zanicchi, 86 anos, revela novo cortejo e sonhos com o marido falecido: “Preciso de um companheiro”

Iva Zanicchi, 86, fala sobre cortejo na terceira idade e sonhos com o marido falecido: desejo de companhia e lembranças que orientam o futuro afetivo.

Iva Zanicchi, 86 anos, revela novo cortejo e sonhos com o marido falecido: “Preciso de um companheiro”

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Iva Zanicchi, 86 anos, revela novo cortejo e sonhos com o marido falecido: “Preciso de um companheiro”

Iva Zanicchi, aos 86 anos, trouxe ao estúdio de Verissimo — e ao nosso espelho cultural — uma confissão que mescla humor, saudade e desejo de companhia. Em conversa com Silvia Toffanin, a cantora italiana relatou detalhes de sua vida afetiva após a morte do marido, Fausto Pinna, ocorrida em agosto de 2024, e mostrou como o luto convive com a possibilidade de reencontros no mundo dos vivos.

Com a elegância de quem conhece o palco e a plateia, Iva Zanicchi descreveu um cortejo discreto que a surpreendeu: “Ho un vecchio che mi corteggia, avrà una decina d’anni in meno di me” — um homem considerado “velho” por ela, mas cerca de dez anos mais jovem. O pretendente age com uma timidez juvenil: mensagens carinhosas que lembram um garoto de 18 anos e flores enviadas com bilhetes afetuosos.

O episódio ganhou ares de comédia romântica durante a narrativa do encontro em Milão. Na hora da bebida, ele teria dito que beberia apenas água, enquanto Iva, com naturalidade, comentou: “Eu beberia um pouco de vinho”. O momento culminou no pedido do prato: ela optou pelo risotto al tartufo — e ele, com franqueza que arrancou risadas da plateia, teria retrucado: “Io senza” — revelando-se, nas palavras da cantora, um pouco mão-de-vaca.

Entre risos e ternura, a entrevista não deixou de tocar a dimensão espiritual do vínculo interrompido pela morte. Iva Zanicchi confessou que frequentemente sonha com Fausto Pinna, que nos sonhos a incentiva: “Dai Iva, sono contento. Hai bisogno di un compagno”. Essa voz onírica funciona como um roteiro secreto que permite a quem enlutou repensar o desejo de um novo afeto sem trair a memória.

Como analista do zeitgeist que observa o entretenimento como reflexo social, vejo nessa passagem algo além da fofoca: é a semiótica do envelhecimento afetivo numa sociedade que ora exalta a autonomia, ora sussurra a necessidade de parcerias. O cortejo descrito por Iva revela uma transição — o encenamento íntimo em que se confrontam luto, desejo e leveza. É o pequeno drama humano que nos lembra que a vida sentimental na terceira idade não é uma cena à margem, mas um ato central no roteiro contínuo da identidade.

Ao narrar o episódio com humor e delicadeza, Iva Zanicchi convida o público a refletir sobre como mantemos vivos os mortos nas formas de conselho e permissão — inclusive quando eles, em sonhos, aprovam que a vida prossiga com um novo companheiro. O que parecia apenas uma anedota televisiva transforma-se, nas suas palavras, em um espelho de nossas memórias e escolhas: o desejo de companhia é legítimo e civilizado, mesmo depois do adeus definitivo.

Em suma, a cantora não anuncia pressa nem renega o passado; ela ensaia um futuro possível, com risotos, flores e mensagens juvenis. E nos lembra que, no grande set da vida, cada ato de cortejar é também um reframe da nossa própria história.