Iva Zanicchi anuncia fim das turnês de verão a partir de 2027: "Esta temporada foi uma tragédia"

Iva Zanicchi anuncia fim das turnês de verão em 2027, citando cansaço dos shows ao vivo e excesso de selfies; focará em TV e teatro.

Iva Zanicchi anuncia fim das turnês de verão a partir de 2027: "Esta temporada foi uma tragédia"

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Iva Zanicchi anuncia fim das turnês de verão a partir de 2027: "Esta temporada foi uma tragédia"

Em uma declaração que mistura franqueza e ironia, a lendária cantora italiana Iva Zanicchi anunciou que, a partir de 2027, não realizará mais turnês de verão. A revelação foi feita hoje durante sua participação no programa La volta buona, apresentado por Caterina Balivo na Rai1, onde a artista explicou que a decisão se baseia sobretudo no desgaste físico e emocional de manter um espetáculo ao vivo por longos períodos.

Guia Italia + — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘

"Eu canto ao vivo, e cantar ao vivo por uma hora e meia é pesado. Em playback, jamais", disse Zanicchi, reafirmando seu compromisso com a autenticidade performática — uma espécie de manifesto contra a trivialização do ao vivo em tempos digitais. A cantora não abandona totalmente os palcos: confirmou que ainda fará de quatro a cinco concertos, mas que a ideia de uma verdadeira turnê de verão tornou-se inviável.

Mais do que a fadiga vocal, Zanicchi apontou para o conjunto de exigências que hoje acompanham cada apresentação. O calor, a preparação estética, os encontros protocolares com prefeitos, a avalanche de selfies e a necessidade de gravar vídeos transformaram o ritual do show. "Uma vez se faziam autógrafos, era bonito. Agora os filminhos para os parentes. Esta verão foi uma tragédia", contou, com a sagacidade que marca sua longa carreira.

Como observadora que busca o sentido por trás dos gestos públicos, lembro que essa fala ecoa um fenômeno maior: o reframe da realidade do espetáculo contemporâneo. O que antes era um encontro íntimo entre artista e público — um espelho do nosso tempo, carregado de memória e afeto — foi lentamente redesenhado pela semiótica do viral. A pressão por conteúdo instantâneo e a logística de mapas de agenda e aparições públicas transformam cada performance em micro-eventos com demandas extras, muitas vezes extenuantes para intérpretes veteranos.

Zanicchi também anunciou uma reorientação de suas prioridades: o foco será intensificar trabalhos na televisão e no teatro, meios que possibilitam outro ritmo de criação e podem preservar a energia e a densidade da interpretação. Essa escolha não é apenas um ajuste de carreira; é um movimento sensível dentro de um cenário cultural em transformação, em que artistas veteranos redesenham trajetórias para dialogar com a própria história e com o público de formas menos extenuantes.

Ao recusar a normalização do desgaste e ao privilegiar algumas apresentações selecionadas, Zanicchi nos convida a refletir sobre o valor do encontro artístico autêntico. Não se trata de um retiro dramático, mas de uma curadoria de presença: manter a voz, a integridade e o prazer de cantar — sem ceder à pressão de um circuito que às vezes exige demais. Para uma figura que atravessou gerações, a decisão é também um lembrete de que a arte vive melhor quando preservada com respeito.

Com humor e clareza, Iva Zanicchi fecha um capítulo das grandes turnês e abre outro, mais íntimo e estratégico: o roteiro oculto da sociedade do entretenimento muda, e cabe aos artistas decidir como querem aparecer nesse novo cenário.

Guia Italia + — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘