Iva Zanicchi e Katia Ricciarelli riem em estúdio ao lembrar flerte na União Soviética: “Que troika”
Iva Zanicchi relembra flerte com tradutor na União Soviética e episódio da 'troika' com Katia Ricciarelli em La volta buona.
RESUMO ✦
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Iva Zanicchi e Katia Ricciarelli riem em estúdio ao lembrar flerte na União Soviética: “Que troika”
No clima de um pequeno set teatral, Iva Zanicchi e Katia Ricciarelli foram as convidadas de hoje no programa La volta buona, apresentado por Caterina Balivo na Rai1. O encontro virou um espelho do nosso tempo: não apenas um resgate de memórias, mas também a conversa sobre como o passado privado ganha contorno público quando contado por vozes que são, elas próprias, um roteiro de vida.
Em tom de confidência e com risos contidos, Iva Zanicchi narrou um episódio vivido durante uma tournée pela União Soviética, quando trabalhava com um jovem tradutor chamado Sasha. "Era um rapaz loiro, alto, olhos azuis. Eu era casada, tinha a filha em casa, nem olhava para ele", disse Zanicchi, traçando a introdução do que viria a ser uma surpresa emocional — a falha do costume diante da troca de olhares no palco.
O relato segue como se fosse um plano-sequência: segundo Iva, durante as apresentações ela passou a encará-lo nos olhos e uma paixão inesperada surgiu — a primeira desde o casamento. A narrativa ganha um elemento pictórico quando ela descreve a volta a pé e o passeio numa troika, o tradicional trenó de três cavalos tão simbólico do imaginário russo. A palavra "troika" provocou a reação imediata de Katia Ricciarelli, que soltou a típica e divertida interjeição: "Ma che troika ragazzi" — que, no estúdio, virou motivo de gargalhada entre as duas.
Com um toque de humor e pudor, Zanicchi confessou que naquela noite houve um beijo entre ela e Sasha. Em seguida, para complicar o enredo digno de cinema, o marido dela apareceu de surpresa no hotel. "Vou para o quarto e digo para ele me alcançar em cinco minutos", contou Iva. O marido, porém, ficou por ali até o fim da tournée: a passagem termina com a revelação pragmática e quase cênica da cantora — "Não, nunca consumamos" — que encerra a anedota com uma contundente economia de palavras.
Há algo profundamente revelador nesta pequena cena: celebridade e intimidade se cruzam sob a luz de um estúdio, e o público testemunha tanto o brilho dramático quanto a matéria comum do desejo e da fidelidade. Como uma cena que poderia figurar num filme de costumes, o episódio de Iva Zanicchi com Sasha funciona como um reframe da memória — o particular que vira símbolo e, ao mesmo tempo, desarma a aura do estrelato com humor e humanidade.
Katia Ricciarelli, com sua intervenção breve e afetuosa, agiu como contraponto: a risada, o sussurro crítico e a cumplicidade entre colegas de palco transformaram a narrativa num dueto de lembranças, onde o que importa não é apenas o fato, mas o modo como ele é contado. Em cena, como no cinema, a vida encontra a sua mise-en-scène.

