Biometano ganha tração: nova fase com BPA fortalece ligação entre agricultura e indústria
BPA impulsionam o biometano na Itália: 60 acordos somam 180 milhões Smc/ano e apoiam meta de 5,5 bilhões m³ até 2030 para descarbonização industrial.
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Biometano ganha tração: nova fase com BPA fortalece ligação entre agricultura e indústria
Em um encontro realizado hoje na sede da Assolombarda, organizado pelo Consorzio Italiano Biogas, foi lançada uma nova etapa para o papel do biometano na transição energética. O evento, dedicado aos Biomethane Purchase Agreements (BPA) — acordos de compra de longo prazo entre produtores agrícolas e consumidores industriais — destacou como esses contratos podem ser o mecanismo de estabilidade e escala para integrar recursos renováveis à indústria pesada.
Em vídeo, o ministro do Ambiente e da Segurança Energética, Gilberto Pichetto Fratin, sublinhou que o biometano é “uma recurso estratégico para a descarbonização, a segurança e a autonomia energética nacional”, especialmente num contexto de fortes tensões internacionais. O ministro reiterou que os BPA são ferramentas concretas para dar previsibilidade aos investimentos e gerar valor compartilhado entre agricultura e indústria. Pichetto Fratin afirmou, ainda, que o governo trabalha em um novo decreto para acelerar a conversão de biogás em biometano, avaliando metas de desenvolvimento e eventuais ajustes, mantendo o objetivo de alcançar e superar 5,5 bilhões de metros cúbicos até 2030.
A cadeia italiana do setor está em forte expansão, apoiada pelos Decretos Ministeriais de 2018 e 2022 (este último no âmbito do PNRR). Essa dinâmica cria janelas claras de oportunidade no mercado: os BPA podem estabilizar a valorização do biometano produzido por empresas agrícolas e, simultaneamente, oferecer à indústria um fornecimento renovável alinhado aos objetivos de descarbonização.
Graças à ação do Consorzio Italiano Biogas, foram já celebrados 60 acordos, totalizando 180 milhões de Smc por ano de biometano. A demanda industrial é diversificada: 46% dos volumes (82 milhões de Smc/ano) destinam-se ao setor do aço; seguem-se papel (25 milhões, 14%), cerâmica (20 milhões, 11%), cimento e tijolos (19 milhões, 11%), químico (18 milhões, 10%), alimentício (13 milhões, 7%) e plásticos (3 milhões, 2%).
Piero Gattoni, presidente do Consorzio Italiano Biogas, observou que conectar a produção agrícola de biometano à demanda industrial cria condições para valorizar um recurso renovável e nacional, ao mesmo tempo em que acompanha os setores produtivos no processo de descarbonização. Gattoni enfatizou ainda a importância da troca de know-how entre agricultura e indústria, componente essencial para escalar soluções eficientes e robustas.
Como estrategista econômica, avalio este movimento como uma recalibragem — uma mudança de marcha no motor da economia energética. Os BPA funcionam como uma caixa de transmissão: alinham fluxo de oferta com a demanda de altos consumidores, reduzindo a incerteza e permitindo que investidores e agricultores planejem com horizonte de longo prazo. Na linguagem dos mercados, trata-se de transformar potencial de recurso renovável em fornecimento contratual e crédito de descarbonização para setores de difícil abatimento de emissões.
O caminho à frente exige, além do enquadramento regulatório que o decreto promete, instrumentos financeiros e comerciais capazes de sustentar projetos agrícolas em escala. A conjugação de políticas públicas, contratos privados e inovação tecnológica será a calibragem necessária para acelerar a adoção do biometano e transformar ambição em entrega mensurável até 2030.

