Scotto (Aci): A inteligência artificial vai transformar a mobilidade — e não seremos mais nós a dirigir

Scotto (Aci): AI, eletrificação e automação vão redefinir a mobilidade; não seremos mais nós a dirigir e a posse poderá perder centralidade.

Scotto (Aci): A inteligência artificial vai transformar a mobilidade — e não seremos mais nós a dirigir

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Scotto (Aci): A inteligência artificial vai transformar a mobilidade — e não seremos mais nós a dirigir

Por Stella Ferrari — Em uma análise precisa sobre o futuro da mobilidade, Francesco Scotto, diretor de estudos da Fondazione Caracciolo e do Centro studi Aci, explicou no novo ciclo do Eco - Festival della Mobilità Sostenibile e delle Città Intelligenti que será realizado em Roma nos dias 15 e 16 de setembro durante a Semana Europeia da Mobilidade 2026, como a inteligência artificial está redesenhando o setor.

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Segundo Scotto, o progresso decisivo não vem apenas da eletrificação nem exclusivamente da automação, mas da interação entre essas duas frentes tecnológicas. "O verdadeiro salto quântico, o verdadeiro cambio de passo, está ligado à interação dessas duas tecnologias", afirmou. Na visão dele, essa integração abre cenários de mobilidade nos quais "não seremos mais nós a dirigir o carro" — e talvez nem sequer tenhamos um veículo de propriedade, optando por modelos de uso sob demanda.

Como economista com foco em alta performance, interpreto essa convergência tecnológica como uma recalibração do motor da economia do transporte: a combinação de softwares inteligentes e tração elétrica reprograma custos, segurança e padrões de consumo. Scotto sublinha dois impactos imediatos e mensuráveis: a redução das emissões e a melhoria da segurança viária.

Os veículos autônomos e eletrificados, conectados por algoritmos de aprendizado de máquina, demonstraram padrões de segurança que hoje parecem inatingíveis para a condução humana. "Podemos imaginar salvar 9 vidas em cada 10 que hoje perdemos nas estradas", disse Scotto. Esse dado, se validado em larga escala, representa uma mudança de paradigma comparável à introdução dos airbags e dos sistemas ABS — uma engenharia de políticas e produtos que redefine tolerâncias e prioridades.

Outro ponto estratégico que ele destacou é o impacto no orçamento das famílias. Se o acesso a um veículo quando necessário puder ser alcançado a custos próximos aos da posse — graças à economia de escala, operações otimizadas e modelos de mobilidade compartilhada —, teremos um efeito de alívio sobre as despesas de transporte e, ao mesmo tempo, um ganho em liberdade individual. Em outras palavras, a propriedade perde centralidade quando a disponibilidade é imediata e previsível.

Do ponto de vista político e de planejamento urbano, essa transição exige uma calibragem fina: regulação que favoreça inovação sem abrir mão da segurança, infraestrutura que suporte recarga e comunicação veículo-rede, e modelos de governança que interiorizem externalidades como emissões e uso do espaço público.

Em resumo, a mensagem de Scotto, acolhida com rigor no Eco-Festival, indica que a combinação de inteligência artificial, eletrificação e automação é a próxima grande aceleração para a mobilidade — um redesenho técnico e social que promete reduzir emissões, cortes de fatalidades e alterar profundamente o conceito de propriedade do veículo.

Como economista, vejo nessa transição uma oportunidade de alto rendimento social e econômico, desde que sendo orientada por políticas públicas inteligentes e investimentos privados calibrados: é preciso ajustar os freios e o acelerador com precisão.

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