INPS: +65% de trabalhadores com mais de 55 anos em seis anos, alerta para desigualdades
Entre 2019 e 2025, trabalhadores com mais de 55 anos aumentaram 65%. INPS alerta para desigualdades de gênero e a urgência de carreiras sustentáveis.
RESUMO ✦
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INPS: +65% de trabalhadores com mais de 55 anos em seis anos, alerta para desigualdades
Entre 2019 e 2025 o número de trabalhadores com mais de 55 anos cresceu cerca de 65%, sinaliza o presidente do INPS durante a apresentação da pesquisa da Valore D intitulada "Long boarding". É uma luz que revela uma mudança estrutural: a população trabalha por mais tempo, mas isso não significa, automaticamente, que todos possam fazê-lo com as mesmas condições.
Como bem destacou o presidente do instituto, viver mais não equivale, de modo automático, a poder trabalhar mais. Existem profissões que desgastam o corpo e a mente de forma desigual; nem todos chegam às idades mais avançadas com os mesmos recursos de saúde, renda e suporte social. Aqui se abre um nó político central da longevidade: precisamos decidir como organizar as nossas políticas públicas para que o prolongamento da vida ativa seja também justo.
No centro dessa reflexão, emerge a urgência de colocar a mulher no coração de qualquer estratégia de sustentabilidade. Igualdade não é tratar da mesma forma trajetórias que foram marcadas por esforços diferentes. Significa reconhecer essas diferenças desde já, antes que virem destino.
O relatório sublinha que as mulheres enfrentam obstáculos persistentes ao longo de toda a carreira: interrupções forçadas, um persistente gender pay gap, maiores dificuldades para retornar ao mercado após a maternidade e o peso desproporcional do trabalho de cuidado, que frequentemente recai sobre seus ombros. No conjunto das aposentadorias, as mulheres correspondem a 51% dos beneficiários, mas recebem apenas 44% do rendimento previdenciário total e somam quase seis anos a menos de contribuições em comparação aos homens. A pensão não cria essas distâncias: ela apenas as registra.
Garantir carreiras sustentáveis e dignas exige políticas que eliminem a discriminação estrutural que freia talentos, que promovam a partilha efetiva das responsabilidades familiares e que valorizem o impacto insubstituível das mulheres no desenvolvimento do país. É uma agenda que semeia equidade e produtividade: quando iluminamos caminhos mais justos hoje, construímos um horizonte mais claro para as próximas gerações.
Ao propor respostas, a mensagem é prática e compassiva: não basta contabilizar anos de vida ativa, é preciso investir em condições de trabalho que preservem saúde, remuneração e oportunidades de reinserção. Assim tecemos laços sociais e profissionais que resistem ao tempo, transformando o aumento da longevidade em ativo coletivo e não em fardo diferenciado.
Em síntese, os números do INPS são um convite à ação. A mudança demográfica está em curso; cabe às políticas e às empresas iluminar novas rotas que tornem essa mudança sinônimo de prosperidade compartilhada e justiça intergeracional.

