Jane Fonda critica tributo de Barbra Streisand a Robert Redford: “Não é justo, eu vivi mais dessa história”
Jane Fonda critica tributo de Barbra Streisand a Robert Redford nos Oscars, reivindicando memória e intimidade após parceria profissional.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Jane Fonda critica tributo de Barbra Streisand a Robert Redford: “Não é justo, eu vivi mais dessa história”
Por Chiara Lombardi — No eco pós-Oscars, uma observação cortante de Jane Fonda reabriu uma pequena novela entre gigantes do cinema. A atriz acusou a colega Barbra Streisand de ter recebido protagonismo para prestar homenagem a Robert Redford numa ocasião em que, segundo Fonda, o gesto não refletiu a profundidade das memórias que ela mesma carrega.
No palco do Dolby Theatre, durante a cerimônia em que o ator foi lembrado após sua morte em setembro passado, Streisand entoou The Way We Were e fez um longo discurso em tributo ao amigo. A performance foi transmitida como homenagem oficial da Academia. No entanto, à saída do evento, num dos after-parties do Vanity Fair, Fonda reagiu: “Ela fez apenas um filme com ele, eu quatro, e tenho muito mais para contar sobre ele.” A declaração foi traduzida por ela mesma como uma mistura de ciúme pessoal e senso de justiça histórica.
A fala de Jane Fonda mistura intimidade e luto: “Sempre estive apaixonada por ele: foi um ser humano maravilhoso que fez muito pelo cinema”, disse, lembrando o vínculo afetivo e profissional que a uniu a Redford ao longo dos anos. É uma lembrança que atravessa a esfera pública e entra no terreno privado das memórias compartilhadas — o tipo de conflito que muitas vezes fica fora do roteiro oficial das premiações.
Curiosamente, a parceria entre Streisand e Redford se concretizou apenas uma vez nas telas, num clássico de 1973: Come Eravamo (The Way We Were), dirigido por Sydney Pollack, hoje um filme de culto que também conquistou um Oscar pela sua trilha sonora. Por outro lado, a relação cinematográfica entre Fonda e Redford tem outra cadência: quatro filmes, segundo a atriz, e uma história que, em seu entendimento, dá-lhe mais autoridade para narrar aspectos da vida e da carreira dele.
Há ainda um ponto simbólico que enreda as memórias: em 2017, o filme Our Souls at Night foi exibido em estreia mundial em Veneza, quando Redford tinha 81 anos e Fonda 79 — momento que culminou com ambos recebendo o Leone d'Oro alla Carriera, um reconhecimento de carreira que imprime uma camada adicional de legitimidade à narrativa conjunta entre os dois.
Mais do que um bate-boca de bastidores, a manifestação de Fonda funciona como um pequeno espelho do nosso tempo: quem tem a palavra pública para escrever memórias compartilhadas? No campo performático das cerimônias, o tributo oficial pode ser uma peça do espetáculo; mas a história, essa outra tela, guarda camadas que atravessam as luzes do palco. E, como toda boa cena não dita, a disputa sobre quem conta a história diz muito sobre poder, memória e o roteiro oculto das lembranças coletivas.
Em um mundo onde o tributo vira espetáculo, as vozes que reivindicam autoria sobre o passado nos lembram que o cinema é sempre, também, sobre quem sobrevive nas nossas memórias.


