La Scala celebra 80 anos da reconstrução pós-bombardeios: memória, música e rito cívico

La Scala celebra 80 anos da reconstrução pós-bombardeios com concerto, autoridades e memória viva do pós‑guerra.

La Scala celebra 80 anos da reconstrução pós-bombardeios: memória, música e rito cívico

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

La Scala celebra 80 anos da reconstrução pós-bombardeios: memória, música e rito cívico

Em 11 de maio de 1946, Arturo Toscanini conduzia o concerto de reabertura da La Scala reconstruída, um marco simbólico após os bombardeios que, em agosto de 1943, feriram Milão e a sala do teatro. Naquele pós-guerra, o governo nacional, o Município de Milão e a sociedade civil reconheceram a centralidade do teatro como um ponto de coesão cultural — sua renascença foi tratada como prioridade no amplo processo de reconstrução.

Oito décadas depois, a comemoração desse episódio histórico ganha forma em três dias de iniciativas que culminaram, em 11 de maio, numa cerimônia pública onde se reiterou o valor do teatro como espelho do nosso tempo. “É uma jornada importantíssima que lembramos e que me alegra ver tão sentida — foi uma grande festa que fechou um período terrível, da guerra e da ocupação nazifascista, e marcou o fim da reconstrução do teatro, um processo que envolveu toda a região”, disse Fortunato Ortombina, superintendente da instituição, antes do início do evento.

Após os ataques, a trajetória da La Scala foi de resistência e itinerância: o teatro encontrou hospitalidade primeiro no Comunale de Como, depois no Donizetti de Bérgamo e, por fim, no Lírico, numa estratégia clara de manter vivo “o nosso idioma”, essa força universal que é a música, e fazê-lo chegar ao maior público possível.

A cerimônia contou com a presença do Presidente da República, Sergio Mattarella, recebido por Ortombina, que lhe entregou dois volumes sobre a história do teatro e apresentou um resumo da exposição sobre os 80 anos scaligeros. Entre as autoridades e personalidades presentes estavam o presidente do Senado Ignazio La Russa, o governador Attilio Fontana, o prefeito Giuseppe Sala, a senadora vitalícia Liliana Segre, os ex-superintendentes Carlo Fontana e Alexander Pereira, além de figuras como Carlo Sangalli, Claudio Longhi, Mario Monti, Fedele Confalonieri, Marco Tronchetti Provera e a cenógrafa Margherita Palli.

Diferente do histórico 7 de dezembro, nesta celebração o Chefe de Estado ocupou a plateia, enquanto no palco central permaneceram os convidados da Casa Verdi, a casa de repouso para artistas criada por Giuseppe Verdi — um gesto simbólico que reconta a relação entre memória, instituição e público.

O diretor musical Riccardo Chailly subiu ao púlpito da orquestra da La Scala para um momento dedicado ao Nabucco de Giuseppe Verdi (em cartaz a partir de 16 de maio): a Sinfonia com o trecho “Sperate, o figli… D'Egitto là sui lidi” foi cantada por Michele Pertusi e Francesco Meli, seguida pelos coros “Gli arredi festivi” e o emblemático “Va' pensiero”.

Na programação também foi exibido um breve vídeo assinado por Francesca Molteni, composto com materiais históricos cedidos pela Rai, Rai Teche e Archivio Luce - Cinecittà e produzido pela Factory of Projects. Emocionou, ainda, a presença de uma gravação da voz de Arturo Toscanini na sala — um eco sonoro que conecta passado e presente.

Mais do que um evento comemorativo, a celebração dos 80 anos da reabertura de La Scala funciona como um reframe da realidade: um roteiro oculto que revela como a cultura atua como motor de reconstrução social e como a memória coletiva se mantém viva através do rito público, da música e das imagens. É também uma lição sobre a resiliência das instituições culturais — e sobre o porquê de preservá-las num cenário de transformação constante.