Mahmood anuncia mudança para a Espanha e pausa nos shows: “Preciso pensar e andar sem ser perseguido”
Mahmood vai se mudar para a Espanha, pausa shows em 2026 e fala sobre fama, privacidade e o sucesso de 'Soldi'. Entrevista para a revista Butt.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Mahmood anuncia mudança para a Espanha e pausa nos shows: “Preciso pensar e andar sem ser perseguido”
Por Chiara Lombardi — Em uma conversa franca e cinematográfica com a revista Butt, Mahmood revela uma decisão que soa como um silêncio dramático no roteiro da sua vida pública: vai se mudar para a Espanha e fará uma pausa das apresentações ao vivo durante todo o ano de 2026. O ensaio, intitulado "In a Jacuzzi" e fotografado por Luke Abby, é ao mesmo tempo um retrato íntimo e um manifesto sobre o desejo de recuo — o eco cultural de quem precisa reescrever a própria narrativa.
No ensaio visual, o cantor aparece em uma banheira de hidromassagem, fumando e brincando com um pirulito em formato de coração — imagens que contrastam com o anúncio contundente: "Me mudo para a Espanha. Preciso passar mais tempo caminhando pelas ruas, pensando nos meus dramas, sem ser perseguido", disse ele. A frase sugere não apenas uma mudança geográfica, mas um movimento em direção a um espaço de anonimato e reflexão, um reframe da realidade que tantos artistas anseiam.
Mahmood também falou sobre a sensação de viver sob constantes olhares: "Não suporto quando as pessoas me filmam enquanto danço. Talvez eu esteja bêbado. Não quero passar vergonha em frente à câmera. Me sinto como uma tigre branca em um zoológico." A metáfora é afiada — e lembra como a celebridade pode transformar o corpo em espetáculo e o andar cotidiano em cena pública.
Relembrando os primeiros passos na indústria, ele não escondeu as dificuldades: assinou contratos, compôs sem ver resultados imediatos, trabalhou em bares para pagar as contas e escreveu canções para outros artistas. Foi na divisão de songwriting da Universal que seu talento começou a ser reconhecido. Mesmo assim, a trajetória não foi linear: sobre Soldi, ele lembra que poucos acreditavam na canção no início — "Carina. Estranha", disseram alguns — até que ela se tornou a música italiana mais ouvida em streaming de todos os tempos. Um clássico exemplo de como o mercado e o público nem sempre leem o mesmo roteiro.
O cantor abordou também com naturalidade sua vida afetiva e sexual: afirmou nunca ter sentido necessidade de esconder sua sexualidade e atribuiu grande parte de sua sorte a uma presença familiar forte: "Minha maior sorte na vida foi minha mãe". Compartilhou uma anedota curiosa — após um encontro sexual, a pessoa lhe contou que os filhos eram grandes fãs. Um momento que mistura intimidade e surpresas públicas, mostrando as camadas entre o privado e o espetáculo.
Sobre o amor, Mahmood confessou que não acredita no golpe de sorte do enamoramento instantâneo. Prefere o processo de descolagem do afeto: "Gosto quando não há conexão na primeira vez. Gosto quando alguém me trata mal no começo. Aí, conversando, surgem outras nuances e fica mais interessante." A declaração é quase um manual anti-romântico, um contraponto às narrativas de paixão instantânea tão propagadas pelo zeitgeist das redes.
Houve espaço também para humor e autocuidado: brincou sobre o uso futuro de botox — "por enquanto não faço, mas farei, minha cara está caindo" — e detalhou sua rotina de beleza: soro de manhã, creme de manhã, soro à noite, creme à noite. Entre o irônico e o preciso, ele delineia a montagem de uma imagem pública que, por ora, pretende desmontar ao se recolher na Espanha.
Por fim, a confirmação que encerra este capítulo: a decisão de suspender os shows durante todo 2026. Mais do que um hiato, parece uma pausa necessária para reconstruir o off-screen — o período em que o artista se afasta das câmeras para reaprender a andar por ruas sem lentes apontadas. Em termos simbólicos, é um corte de cena que nos convida a observar o backstage da fama, a fazer uma pausa e a escutar o roteiro oculto de quem cria cultura.
Enquanto muitos enxergam na mudança uma fuga, eu a vejo como um movimento de autorreconstrução. Mahmood não abandona nada; reorganiza-se. E, como em um bom filme europeu, o silêncio entre as cenas promete revelar mais do que qualquer close-up.


