Mara Maionchi, às vésperas dos 85 anos: "Dei cintadas em Pappalardo", recusa cirurgia plástica e reflete sobre a morte

Mara Maionchi, a caminho dos 85, fala com franqueza a Vanity Fair: conflitos com Pappalardo, recusa à cirurgia plástica e reflexões sobre a morte.

Mara Maionchi, às vésperas dos 85 anos: "Dei cintadas em Pappalardo", recusa cirurgia plástica e reflete sobre a morte

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Mara Maionchi, às vésperas dos 85 anos: "Dei cintadas em Pappalardo", recusa cirurgia plástica e reflete sobre a morte

Por Chiara Lombardi — Em um perfil para Vanity Fair, a lendária produtora e figura da indústria musical Mara Maionchi se abre em uma entrevista sem filtros pouco antes de completar 85 anos, em 22 de abril. Entre memórias afiadas e uma voz que não perdeu o timbre crítico, ela traça uma biografia afetiva que funciona como um espelho do nosso tempo: incisiva, franca e surpreendentemente humana.

Mara se define "nascida e criada contracorrente" e não esconde o desejo de que os próximos anos sejam visíveis em toda a sua potência: "Gostaria que os 85 anos que estão por vir fossem visíveis em todo o seu esplendor". Essa recusa ao disfarce da idade está ligada a uma convicção clara sobre cirurgia plástica: por que tentar aparentar juventude eterna se não se pode fazer as coisas como quando se é jovem? Para ela, cada fase tem peculiaridades que merecem ser respeitadas e exploradas.

No relato, há também autocrítica. "Antes eu era prepotentíssima, falava e me sentia o pai eterno. Agora desci muitos degraus", confessa Mara, sem arrependimentos, apenas com a clareza adquirida ao longo de décadas. "Se você não entende a vida, como vai morrer?" — uma pergunta que soa como um roteiro oculto sobre a urgência de compreender antes do final.

A revista reúne, ainda, episódios da vida profissional. Com a mesma honestidade que ela emprega para falar da própria transformação, Mara lembra de conflitos com artistas que lhe davam trabalho. "Se via um artista que não compreendia ou não queria compreender, eu me alterava um pouco. Dei cintadas em Adriano Pappalardo: ele realmente me tirava do sério", diz, com a mistura de humor e severidade que marca sua trajetória. E sobre Gianna Nannini, conta que a cantora criava cenas quase cinematográficas de malandragem, mas que, com o tempo, ela acabou se afeiçoando.

O tema da morte atravessa a entrevista com uma tonalidade íntima. Apesar de acreditar em Deus, Mara admite a inquietação sobre o que vem depois. "Não é um pensamento muito agradável. Mesmo acreditando em Deus, o fato de não saber o que há do outro lado não me deixa tranquila." Ao mesmo tempo, celebra a vida vivida: "Me diverti e me divirto ainda. Quem sabe lá eu não farei um The Voice com os anjos?" — uma imagem que traduz sua relação irônica e afetuosa com o próprio legado.

Mais do que anedotas, essas falas revelam o perfil de uma mulher cuja carreira e identidade funcionam como um eco cultural: uma produtora que ajudou a moldar vozes e narrativas, e que agora nos convida a repensar a ideia de envelhecer em um cenário de transformações rápidas. Mara é, ao mesmo tempo, personagem e espelho — o tipo de figura pública cujo testemunho nos permite ler o nosso próprio roteiro oculto.

Ao encerrar a conversa, permanece a sensação de que sua vida é uma sequência de planos e takes que se rearranjam. Entre a recusa à cirurgia, as lembranças das broncas e o riso sobre a eternidade, Mara Maionchi oferece uma lição discreta: envelhecer com dignidade é aceitar o papel que cada idade nos dá, sem perder a capacidade de provocar, de rir e de transformar. E, por essa razão, sua história segue sendo relevante — não apenas como notícia, mas como um estudo sobre identidade, memória e o tempo.