Mick Jagger desembarca em Stromboli para viver o guardião do farol no novo filme de Alice Rohrwacher
Mick Jagger chega a Stromboli para filmar com Alice Rohrwacher; interpretará o guardião do farol em cenário protegido e cinematográfico.
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Mick Jagger desembarca em Stromboli para viver o guardião do farol no novo filme de Alice Rohrwacher
Por Chiara Lombardi — A ilha de Stromboli recebeu nesta semana uma presença que transcende o showbiz: Mick Jagger, ícone do rock e fundador dos Rolling Stones, chegou ao arquipélago das Eólias para gravar cenas do próximo filme da diretora Alice Rohrwacher, intitulado "Three incestuous sisters".
Segundo a produção, Jagger interpretará o papel do guardião do farol em Strombolicchio, uma figura que, na superfície, parece destinada a iluminar marés e rotas náuticas — mas que, no roteiro oculto da narrativa, promete funcionar como um espelho do nosso tempo. O set está fortemente protegido, mantido longe de olhares indiscretos e câmeras não autorizadas, numa medida que ressalta o contraste entre a aura pública do astro e a privacidade necessária para filmagens intimistas.
O cantor, que completará 83 anos em 26 de julho, desembarcou de helicóptero e foi recebido com o calor e a hospitalidade dos moradores locais. Hospedado em uma vila particular, Jagger teve ainda tempo para jantar à beira-mar na noite de sua chegada — uma imagem que junta o registro cotidiano da ilha à presença excepcional de uma lenda viva.
Stromboli, com seu vulcão inquieto, oferece um set a céu aberto repleto de locações sugestivas: rochas esculpidas pelo vento, luzes que entram e saem como frames naturais, e o farol solitário que se ergue como um personagem à parte. Nesse cenário, a escolha de um guardião do farol interpretado por uma figura tão reconhecível sugere um reframe da realidade — como se a cultura popular enviesasse nossos hábitos de olhar para o passado e para o presente.
Mais do que um encontro de celebridade e paisagem, a chegada de Mick Jagger a Stromboli fala de uma economia estética: o cinema contemporâneo busca ícones que carreguem memória coletiva, e Rohrwacher, conhecedora dessa semiótica, parece interessada em usar essa carga simbólica para falar sobre família, herança e as linhas tênues entre visibilidade e segredo.
O elenco do filme é internacional, o que amplia o alcance do projeto e transforma a pequena ilha em um microcosmo do cenário cultural global. A presença de Jagger sobrevive tanto na matéria do corpo quanto na performance mítica que ele carrega: em cena, o farol pode ser um refúgio ou uma acusação; fora dele, é só mais uma imagem potente na galeria de imagens que atravessam nosso tempo.
Enquanto as lentes capturam a solidão e a grandiosidade da ilha, os locais assistem a um pequeno ato de transformação: Stromboli, por alguns dias, torna-se palco e espelho — um lugar onde a arte reescreve memórias e onde o guardião do farol pode, por instantes, traduzir a história do mundo em silêncio.