Nicola Pucci a Palazzo Merulana: o Novo Realismo Mágico em diálogo com a Scuola Italiana
Nicola Pucci em exposição no Palazzo Merulana: o Nuovo Realismo Mágico dialoga com a Scuola Romana e a curadoria de Gianluca Marziani.
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Nicola Pucci a Palazzo Merulana: o Novo Realismo Mágico em diálogo com a Scuola Italiana
Por Chiara Lombardi — Em Roma, até 5 de julho, o Palazzo Merulana abre uma janela contemporânea sobre a pintura figurativa com a mostra de Nicola Pucci e seu Nuovo Realismo Magico. A exposição integra o projeto “Scuola italiana. La pittura contemporanea e il suo spirito circolare nel tempo storico”, idealizado e curado por Gianluca Marziani, com o suporte estratégico de Scrinium. É um convite a observar como a pintura contemporânea reencena e refrata o passado, numa espiral temporal em que estilos e ideias reaparecem em novas roupagens.
Marziani escolheu como ponto de partida o acervo da Collezione Elena e Claudio Cerasi, depositado no Palazzo: noventa peças fundamentais da Scuola Romana — obras que trazem a assinatura de nomes como Giacomo Balla, Mario Sironi, Giorgio De Chirico, Antonio Donghi, Mario Mafai, Antonietta Raphaël e Giuseppe Capogrossi. Esses mestres do primeiro Novo Secolo fornecem um horizonte formal e simbólico para a interlocução proposta pelo curador.
No cerne do projeto está a seleção de artistas figurativos contemporâneos cujo trabalho estabelece um diálogo temático com a coleção histórica. A proposta de Marziani não é apenas cronológica; é um exercício de leitura cultural: como as tensões estéticas, a ironia, a expressividade e a aparente leveza — traços de certas gerações italianas — reverberam hoje? É nessa órbita que surge a primeira tappa, dedicada a Nicola Pucci.
Pucci, pintor palermitano de projeção internacional, é conhecido por um realismo visionário que se aproxima do surreal sem abrir mão da disciplina figurativa. Suas telas articulam contextos oníricos, descontextualizações e presenças animais que funcionam como personagens simbólicos, capazes de ativar memórias e narrativas latentes. O resultado é uma pintura que fala ao afeto e à inteligência visual do espectador — um espelho do nosso tempo que revela o roteiro oculto da sociedade em imagens cotidianas transfiguradas.
Ao confrontar o público com esse Nuovo Realismo Magico, a mostra propõe uma leitura crítica sobre o ciclo das influências na arte: estilos que emergem, desaparecem e retornam, não como cópias, mas como reescritas que contêm ressonâncias históricas. A escolha de Pucci, artista nascido em Palermo, também sublinha o valor das periferias culturais italianas — cidades cujas singularidades alimentam visões que transformam o real em imagem com ironia e lirismo.
Visitar a exposição é, portanto, experienciar um diálogo entre tempos e imagens, um pequeno ensaio museográfico sobre como a pintura continua a arquitetar sentidos num presente pluralista. Para quem procura compreender o roteiro simbólico que atravessa a Itália contemporânea, esta é uma escala essencial — uma sala de cinema a céu aberto onde o passado empresta figurinos ao presente e a narrativa se recria.
Informações práticas: Palazzo Merulana, Roma. Exposição de Nicola Pucci no âmbito de “Scuola italiana”, curadoria de Gianluca Marziani, com o apoio de Scrinium. Em cartaz até 5 de julho.