Nicolas Vaporidis: por que o cinema deixou de lhe trazer felicidade e o novo papel de pai
Nicolas Vaporidis diz que o cinema deixou de lhe dar felicidade; pausa no Covid e a expectativa de ser pai em entrevista a Nunzia De Girolamo na Rai1.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Nicolas Vaporidis: por que o cinema deixou de lhe trazer felicidade e o novo papel de pai
Por Chiara Lombardi — Em um diálogo que parece um espelho do nosso tempo, Nicolas Vaporidis confessa em Ciao Maschio que, após vinte anos, o cinema deixou de lhe proporcionar a mesma felicidade dos primeiros anos. Convidado de Nunzia De Girolamo na edição que vai ao ar no sábado, 14 de março, às 17h05 na Rai1, o ator traça um percurso íntimo e profissional que se lê como um roteiro de transformação: do sucesso à pausa, e da pausa à próxima grande cena da sua vida — a paternidade.
No programa, Vaporidis fala abertamente sobre o momento em que percebeu que “o sistema me apertava”. Ele conta que, por anos, buscou na arte cinematográfica uma resposta para aquela «força que nos puxa por algo belo e feliz», e que o cinema, de fato, lhe trouxe isso durante muito tempo. Mas a repetição e a demanda do próprio sistema artístico podem corroer o sentido inicial: “Quando parei, percebi com grande lucidez que talvez aquela fase da minha vida tivesse acabado, ou simplesmente não me dava mais a mesma felicidade dos primeiros anos. Precisei fazer outra coisa.”
Essa pausa ganhou contornos de reflexão profunda durante o período do Covid, quando muitos artistas reavaliaram trajetórias e prioridades. Para Vaporidis, o hiato não foi apenas um intervalo de carreira, mas um reframe da própria identidade profissional — o roteiro oculto da sociedade que força reescritas pessoais urgentes.
Ao mesmo tempo, o ator se prepara para uma transição pessoal que promete reformatar sua vida: tornar-se pai. Ele descreve a experiência como uma antecipação consciente, com uma ideia clara do que significa, mas aguardando ainda aquele «click» — o momento em que segurará o filho nos braços e compreenderá, de forma visceral, a mudança definitiva. Essa expectativa abre um capítulo novo no eco cultural de sua vida, onde a paternidade funciona como um espelho e, simultaneamente, como um mapa.
Vaporidis também mergulha em memórias de infância e nas figuras masculinas que o moldaram. “Fui mais neto do que filho”, diz, apontando que o avô foi a referência masculina constante durante a infância — uma presença guia que ocupou o lugar que a figura paterna não pôde. A relação com o pai, marcada pela ausência física, o levou a buscar outros modelos masculinos ao longo da vida. Essa falta, aceita e nomeada, revela muito sobre como construímos nossas identidades afetivas e profissionais: o que nos falta muitas vezes orienta a busca por sentidos e referências.
Na entrevista com Nunzia De Girolamo, Nicolas Vaporidis não se limita a relatar fatos. Ele oferece um gesto reflexivo: convidar o público a observar o roteiro oculto de quem muda, a semiótica do sucesso que envelhece e a possibilidade de renascimento através de pausas e escolhas conscientes. É a lição de um artista que decidiu ouvir o seu tempo e reescrever-se como quem revisa um filme que agora quer viver com novo repertório emocional.
O episódio de Ciao Maschio vai ao ar no sábado, 14 de março, às 17h05 na Rai1.


