Olivia Rodrigo lança Daisy Chain Fields: festival totalmente feminino e com 100% da renda para causas das mulheres
Olivia Rodrigo lança Daisy Chain Fields: festival só com mulheres que arrecadou US$10 mi para causas femininas. Lineup, parcerias e medidas de segurança.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Olivia Rodrigo lança Daisy Chain Fields: festival totalmente feminino e com 100% da renda para causas das mulheres
Por Chiara Lombardi — Em um gesto que funciona como um espelho do nosso tempo, Olivia Rodrigo levou ao palco do Great Park em Irvine, Califórnia, a primeira edição do festival Daisy Chain Fields, uma celebração musical com line-up inteiramente feminino e um propósito explícito: angariar fundos para organizações que atuam em prol das mulheres.
O festival foi organizado em dois palcos, com setlists coordenadas sem sobreposição, estratégia pensada para que o público pudesse acompanhar na íntegra cada apresentação — um roteiro que privilegia a presença e a escuta. No elenco artístico, além da própria Olivia Rodrigo, estiveram Chappell Roan, Doechii, Mitski, Garbage, The Breeders, Santigold, Bikini Kill, Die Spitz, Eli, Not For Radio, Quiet Light e Rachel Chinouriri. Participações especiais de nomes consagrados como Karen O, Sarah McLachlan e Stevie Nicks deram camadas históricas e afetivas ao encontro.
Todos os números do palco foram realizados sem pagamento às artistas, o que permitiu destinar 100% da renda a instituições beneficentes. Na véspera, Rodrigo anunciou que o evento já havia arrecadado 10 milhões de dólares, quantia a ser repartida entre dez organizações sem fins lucrativos parceiras. Essas instituições atuam em áreas fundamentais como saúde reprodutiva, saúde materna, justiça de gênero e econômica, além de apoio às famílias. Entre os beneficiários estão Baby2Baby, Planned Parenthood, Center for Reproductive Rights, National Domestic Workers Alliance e National Women's Law Center.
O projeto foi diversas vezes associado por Rodrigo à inspiração na histórica Lilith Fair — referência que funciona como um reframe da realidade ao propor não apenas presença feminina no palco, mas também força por trás das cortinas. A produção valorizou a diversidade nas equipes técnicas e criativas: a cobertura fotográfica foi encomendada majoritariamente a fotógrafas e profissionais que se identificam como mulheres, trans, não binárias ou gender nonconforming, um aceno à multiplicidade de vozes que compõem o ecossistema cultural contemporâneo.
O dia do festival trouxe também o desafio do clima. As previsões indicavam temperaturas próximas de 34 °C nas horas de maior calor, levando a organização a instalar cinco postos de hidratação, cinco áreas de resfriamento, duas zonas de sombra e duas tendas médicas. Ventiladores, nebulizadores e ônibus climatizados ficaram de prontidão para reduzir riscos de desconforto ou insolação — medidas práticas para proteger o corpo do público enquanto a cena musical trabalhava o imaginário coletivo.
Mais que um encontro de nomes e músicas, Daisy Chain Fields surge como um capítulo no roteiro oculto da sociedade: um evento que mistura espetáculo, filantropia e um claro posicionamento sobre quem ocupa espaços — e de que forma. É uma proposta que fala tanto com fãs quanto com quem observa as transformações culturais: uma performance pública que, ao direcionar os lucros para causas femininas, transforma o show em um mecanismo concreto de impacto social.
Enquanto o sol se punha sobre Irvine, ficava evidente que o festival não era apenas sobre artistas no palco, mas sobre a construção de um cenário de transformação — e sobre como a música pode atuar como elo entre memória, identidade e ação coletiva.

