Os Oscars da Elegância: Jessie Buckley domina o tapete vermelho em noite de cores primaveris
Jessie Buckley brilhou no tapete vermelho dos Oscars 2026 em Chanel; cores primaveris dominaram o estilo e as mensagens por trás dos looks.
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Os Oscars da Elegância: Jessie Buckley domina o tapete vermelho em noite de cores primaveris
Por Chiara Lombardi — O tapete vermelho do Dolby Theatre transformou-se, mais uma vez, num espelho do nosso tempo: a 98ª edição do Oscar não serviu apenas para premiar realizações cinematográficas, mas para antecipar o roteiro das tendências que irão dominar a temporada. Entre clássicos atemporais e ousadias cromáticas, a noite reforçou como moda e cinema se respondem em um diálogo que diz muito sobre identidade e memória cultural.
Quem convergiu olhares e lente foi Jessie Buckley, laureada com o prêmio de melhor atriz por sua interpretação em Hamnet. Ao chegar, Buckley apresentou-se com uma criação da Chanel que funcionou como um pequeno contraplaço: um corpete vermelho de ombros descobertos, combinado com uma saia fluida em rosa. A justaposição entre vermelho e rosa — tons tradicionalmente associados a energia e delicadeza — atuou como um reframe poético da feminilidade contemporânea.

Outro momento cromático de destaque veio com Chase Infiniti (de One Battle After Another), que escolheu um vestido lilás da Louis Vuitton, marcado por um corpete justo e uma cascata lateral de volantes: feminilidade arquitetada como se fosse uma cena em movimento. Já o cineasta Spike Lee manteve sua assinatura estilística, rompendo um conjunto neutro com chapéu e gravata borboleta em violeta — um habitual tributo à memória de Prince, um gesto que revela como a cor pode ser uma declaração política e afetiva.

Na categoria de melhor atriz, o dualismo entre o clássico e o ornamentado apareceu em escolhas que dialogaram com a narrativa das obras. Rose Byrne desfilou em um Dior preto sem alças com aplicações florais brancas, um vestido que reflete a tensão entre sobriedade e ornamentação; recentemente ela definiu o filme que rendeu sua indicação como um “exame da parentalidade”, expressão que casa com a sobriedade do look.

Outros destaques foram Emma Stone (em Bugonia), que optou por um vestido branco cintilante da Louis Vuitton com mangas-capa; Teyana Taylor, em Chanel com penas brancas e negras e painel transparente; e Michael B. Jordan, vencedor do prêmio de melhor ator por Sinners, que escolheu um smoking Louis Vuitton com colarinho vertical de inspiração oriental e botões em ônix — uma mistura de tradição e reinvenção do corte masculino.

Entre as presenças mais comentadas, Hudson Williams, estrela da série viral Rivalità Accesa, surgiu em um duplo-breasted preto da Balenciaga, adornado por um broche joia, um aceno à estética do luxo contemporâneo que cruza mídia tradicional e viralidade.
Finalmente, a noite celebrou também o encontro entre cinema e esportes: as campeãs olímpicas de hóquei no gelo, Hilary Knight e Hannah Bilka, pisaram no tapete vermelho em sua estreia nos Academy Awards, simbolizando o entrelaçar de trajetórias públicas distintas sob a mesma luz.
O saldo da noite foi um mosaico onde a moda serviu como legenda cultural: cada escolha funcionou como uma frase no roteiro oculto da sociedade, oferecendo pistas sobre como queremos ser vistos e sobre o que recordamos. O red carpet, mais do que um desfile, foi uma cena de transformação—uma pequena mise-en-scène que antecipa o que a primavera trará para além das passarelas.


