Otello abre a temporada da Scala em 2026; em 2027 Verdi volta com direção de Luca Guadagnino

Otello abre a temporada 2026/27 da Scala com Michieletto e Myung-Whun Chung; em 2027, Verdi volta com direção de Luca Guadagnino.

Otello abre a temporada da Scala em 2026; em 2027 Verdi volta com direção de Luca Guadagnino

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Otello abre a temporada da Scala em 2026; em 2027 Verdi volta com direção de Luca Guadagnino

Em um movimento que já se anuncia como ponto alto do calendário cultural europeu, Otello, de Giuseppe Verdi, foi escolhido para abrir a temporada 2026/2027 do Teatro alla Scala. A inauguração está marcada, como dita a tradição milanesa, para 7 de dezembro — dia de Sant’Ambrogio — e reúne uma equipe criativa que promete transformar a estreia em um espelho do nosso tempo.

A encenação ficará a cargo de Damiano Michieletto, enquanto o pódio será ocupado por Myung-Whun Chung, que fará ali sua estreia como diretor musical da casa. A dupla reúne um roteiro estético que alia o teatro lírico à precisão de um cineasta do gesto: Michieletto traz sua visão dramática e contemporânea, e Chung aporta uma longa tradição de sonoridades orquestrais. Juntos, sugerem um reframe da leitura verdiana — não apenas um espetáculo, mas um comentário cultural sobre memória, identidade e poder.

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O anúncio também revelou a programação da temporada seguinte: a abertura de 2027 será outra obra de Verdi, Un ballo in maschera, com direção assinada por Luca Guadagnino e novamente sob a batuta de Myung-Whun Chung. A escolha de Guadagnino, cineasta acostumado a trabalhar a textura emocional e a imagem como protagonista, sugere uma encenação que desloca a ópera para o campo da cinematografia afetiva — a semiótica do viral aplicada à cena lírica.

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A apresentação geral da temporada e do triénio 2026-2028 foi feita hoje, 16 de março de 2026, ao conselho de administração. Trata-se de uma exigência do ministero della Cultura, que solicitou às fundações lírico-sinfônicas os planos trienais para orientar o repasse do Fus — o fundo estatal que sustenta grande parte da produção operística italiana. Nesse contexto, a programação da Scala ganha também uma leitura política: é parte de um roteiro maior de investimentos culturais e posicionamentos simbólicos do país.

No campo da dança, foi confirmada a continuidade de Frédéric Olivieri à frente do corpo de balé. Olivieri havia sido nomeado em fevereiro de 2025 pelo sovrintendente Fortunato Ortombina, para um mandato de dois anos, após a saída prematura do seu antecessor, Manuel Legris. Na ocasião, Ortombina já havia destacado que não via a escolha de Olivieri como um “remendo”: “Me sinto afortunado de nome e de fato por tê-lo”, declarou, pedindo que não se perguntasse mais sobre um eventual ingresso de Roberto Bolle na direção do corpo de baile.

Mais do que uma programação, o anúncio funcionaliza o teatro como cenário de transformação: cada ópera, cada diretor e cada regente são lentes pelas quais a cidade e a Europa leem a si mesmas. A Scala, palco e espelho do nosso tempo, convida a audiência a olhar além do figurino e a escutar o roteiro oculto da sociedade — e, neste caso, a ouvir Verdi como quem revisita um clássico em luz nova.

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