Paola Perego aos 60: vencer o câncer, recriar a carreira e enfrentar a polêmica que a marcou
Paola Perego aos 60: vitória sobre o câncer, nova fase na TV com Citofonare Rai2 e The Floor, livro e podcast, e a polêmica que marcou sua carreira.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Paola Perego aos 60: vencer o câncer, recriar a carreira e enfrentar a polêmica que a marcou
No dia 17 de abril, Paola Perego completa 60 anos. A apresentadora italiana faz deste marco um espelho de sua trajetória: não apenas um número, mas um ponto de virada que reflete escolhas, sobrevivências e reinvenções. «A mudança de prefixo impressiona», conta ela, com a honestidade de quem aprendeu a ler o próprio rosto ao longo das décadas. Mas, completa, prefere a mulher que é hoje à que foi aos 30 ou 40: com mais consciência, aceitação e prioridades redefinidas — especialmente depois de ter vencido um câncer.
Essa vitória pessoal está no cerne do que chama de sua «maior conquista». Superar a doença ressignificou a relação com a imagem e com o trabalho. Paola comenta com simplicidade: envelhecer não é agradável em todos os momentos — as rugas, as dores nas costas —, mas passa a fazer parte de uma narrativa natural. Esse reframe íntimo reflete também na sua agenda profissional, hoje mais cheia e plural.
Na televisão, a apresentadora está à frente de Citofonare Rai2, programa que ela considera seu «joia matinal». O formato, pensado para elevar a audiência de uma faixa antes esquecida (saiu de 2% para 7% sob sua condução), ganhou força a ponto de dobrar a presença: agora vai ao ar às manhãs de sábado e domingo. A parceria renovada inclui a entrada de Paola Barale como presença ao lado de Paola; um reencontro que ela lembra com afeto — ambas maduras, mais sintônicas e menos previsíveis.
Na primeira noite da semana, The Floor traz outra faceta de Paola: o entretenimento pensado como um jogo, que a divertiu desde quando assistia à versão dos The Jackal. Ao lado de Gabriele Vagnato, ela resgata a leveza do game show com ironia e técnica. Curiosamente, o domínio masculino dos quiz shows — uma tradição televisiva onde os homens ocupam mais frequentemente o papel de condutores — é, para ela, mais resultado de hábito do que de aptidão: houve mulheres conduzindo formatos desafiadores ao longo de sua carreira, como em Salto nel buio e outros momentos.
Além da TV, Paola lança o livro A modo mio (Sperling & Kupfer), publicado em 14 de abril, e apresenta o podcast Poteva andare peggio, projeto que lhe dá liberdade de voz e intimidade com o público. A multiplicidade de plataformas dessina uma profissional que transita entre gêneros e linguagens sem perder o fio condutor: a escuta do público e o desejo de se comunicar com autenticidade.
Nem tudo, porém, foi luz. Paola rememora o «momento mais difícil»: quando foi acusada de ser sexista e teve um de seus programas cancelado. Essa ferida pública — o fechamento de um espaço profissional por contestações sobre uma fala ou imagem — marcou sua carreira e abriu debates sobre responsabilidade, contexto e linchamento midiático. A apresentadora prefere olhar para a experiência como parte do seu roteiro: um episódio que exigiu resiliência e reavaliação.
Ao analisar sua trajetória sob a lente do zeitgeist, é possível ver Paola como reflexo das transformações da televisão italiana: da centralidade do rosto ao protagonismo das narrativas pessoais; do jogo de audiência ao engajamento multiplataforma. Sua história é um estudo de caso sobre como a mídia lida com envelhecimento, gênero e crise — e como uma figura pública pode reconstruir-se, consciente de que o entretenimento nunca é apenas diversão, mas também um roteiro oculto da sociedade.
Hoje, com uma rotina profissional intensa e uma vida pessoal que inclui a vitória contra a doença, Paola Perego converte a passagem dos 60 anos em celebração da persistência. Não é uma anedota de carreira: é uma lição de como transformar um capítulo difícil em motor de reinvenção, mantendo a elegância e a coragem de quem entende que a fama é, também, um espelho cultural a ser lido com atenção.