Pasqua di Pace: Preziosi tra João XXIII e Leão XIV e a busca pela unidade como caminho para a paz

Livro de Antonio Preziosi propõe a unidade da Igreja como via para a paz, do papado de João XXIII a Leão XIV, analisando ecumenismo e memória histórica.

Pasqua di Pace: Preziosi tra João XXIII e Leão XIV e a busca pela unidade como caminho para a paz

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Pasqua di Pace: Preziosi tra João XXIII e Leão XIV e a busca pela unidade como caminho para a paz

Por Chiara Lombardi — Em Pasqua di Pace, o diretor do Tg2, Antonio Preziosi, propõe uma viagem intelectual e espiritual que vai de João XXIII a Leão XIV, retomando uma trama contínua: a busca da unidade da Igreja como via privilegiada para a construção da paz entre os povos. Publicado pelas Edizioni San Paolo, o ensaio não se reduz a um manual de ecumenismo; é, antes, uma investigação sobre o papel dos pontífices como agentes de história, memória e esperança.

Com rigor jornalístico e um tom de reflexão civil, Preziosi traça um mapa dos diferentes pontificados que marcaram a história contemporânea, evidenciando como sensibilidades pessoais, trajetórias diversas e contextos históricos complexos se combinaram para manter viva a mesma ambição: a reconciliação e a tutela da dignidade humana. O livro lembra que o ecumenismo e a procura da unidade não são fins puramente eclesiais, mas instrumentos estratégicos para enfrentar as contradições do nosso tempo — desde as disputas de poder até as pressões da economia global e a erosão da cultura do outro.

Há algo de cinematográfico no enredo que Preziosi desenha: cada papa assume, como em um plano-sequência, um papel no grande roteiro do século XX e XXI, passando um testemunho que é também um convite à humanidade para se reconhecer como família comum. Esta perspectiva transforma a teologia em geopolítica da esperança; transforma discursos litúrgicos em política da convivência. A leitura é uma espécie de espelho do nosso tempo, um refrão que volta para nos dizer por que a paz é hoje um bem de sobrevivência coletiva.

O ensaio interroga, com calma e precisão, por que continuar a apostar na unidade quando as divisões parecem tão irreversíveis. A resposta de Preziosi é prática e simbólica: unir não significa apagar diferenças, mas criar um espaço público de escuta que veneri a dignidade humana. Em tempos de fraturas, essa leitura oferece um reframe da realidade — a ideia de que a Igreja reunida pode ser motor de mediação e de cultura do encontro.

Mais do que uma obra sobre figuras históricas, Pasqua di Pace é um convite para compreender por que a paz permanece o grande desafio moral e político do nosso tempo. Preziosi coloca o leitor diante do roteiro oculto que atravessa décadas: um roteiro que lembra que, apesar das crises e das desilusões, a esperança continua sendo uma política possível. E é nessa política que a cultura, a memória e a fé se entrelaçam para recuperar sentido.

Ao encerrar este ensaio, sinto que a proposta de Preziosi é particularmente oportuna: é um chamado sereno e insistente para que possamos imaginar, coletivamente, um futuro onde diferenças sejam reconhecidas e integradas dentro de um projeto comum de paz. Um livro para ser lido com atenção, discutido em cafés e praças — como se estivéssemos projetando, cena a cena, um novo ato da história.

Chiara Lombardi — Espresso Italia