Phil Collins revela que quase morreu por causa do álcool após internação de sete meses

Phil Collins conta que quase morreu por alcoolismo em 2023: sete meses de hospital, órgãos afetados e promessa de não beber mais.

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Phil Collins revela que quase morreu por causa do álcool após internação de sete meses

Em uma entrevista ao Sunday Times, Phil Collins descreveu um episódio dramático que revela o lado mais sombrio da fama: uma longa hospitalização em 2023, de sete meses, motivada por uma grave dependência do álcool que chegou a comprometer órgãos vitais. "Meus rins estavam cedendo, os meus órgãos estavam parando. Pessoas vinham para se despedir de mim, mas eu não me lembrava — não fazia ideia do que estava acontecendo. Poderia ter terminado muito mal", contou o músico britânico.

O veterano baterista e cantor, conhecido por sucessos como "Against All Odds" e "In the Air Tonight", revelou que os médicos chegaram a discutir a possibilidade de mantê‑lo vivo por meio de suporte artificial. Detalhes como esse, até então desconhecidos do grande público, pintam um quadro inquietante: o preço humano por trás de décadas dedicadas à música e à figura pública.

Collins afirmou que se sente afortunado por ter saído daquela situação e deixou claro que não bebeu desde então. A confissão ressoa como um ponto de virada — a narrativa de uma vida artística que, em muitos momentos, funcionou como um espelho das suas próprias batalhas internas.

Não é a primeira vez que o artista aborda a dependência: em 2015, após o divórcio da terceira esposa, Orianne Cevey, ele já havia admitido ter passado por um período de alcoolismo. Nos últimos anos, além das questões com o álcool, Collins enfrentou problemas físicos significativos, com dores no pescoço e na coluna que o impediram de voltar à sua posição tradicional atrás da bateria na reunião do Genesis em 2021 — quando se limitou a cantar. Em 2016, ele também anunciou ter sido diagnosticado com diabetes.

Ao ser questionado sobre o motivo para escolher este momento e abrir o jogo em público, o músico sorriu e fez uma observação sobre completar 75 anos — um marco que, para ele, é ao mesmo tempo "um troféu e um peso". Collins reafirmou o desejo que sempre teve: tocar bateria novamente. "Eu gostaria de poder tocar de novo", disse, lembrando que sua trajetória foi de "baterista que cantava" para "cantor que tocava bateria", um reverso de papeis que guarda como preferência íntima.

Como observadora do cenário cultural, é impossível não ler esse depoimento também como um roteiro oculto da sociedade contemporânea: a celebridade como obra e como testemunha. A história de Phil Collins não é apenas um alerta médico; é um microcosmo do que acontece quando o talento convive com vulnerabilidades humanas que muitas vezes se tornam espetáculo. Há aqui um eco cultural sobre saúde mental, dependência e redenção que transcende a biografia para tocar normas sobre cuidado, memória e fragilidade.

Collins parece, agora, numa encruzilhada entre o passado de glória e a urgência de preservação. Sua declaração pública funciona como um reframe da sua própria narrativa — um convite para repensar como celebramos artistas enquanto sociedade e como suas histórias pessoais dialogam com a nossa memória coletiva.