Plessi e Adnkronos: as forças da natureza que transformaram-se em energia da informação

Em 2013, Plessi transformou forças da natureza em energia da informação para celebrar 50 anos da Adnkronos. Uma leitura estética e histórica.

Plessi e Adnkronos: as forças da natureza que transformaram-se em energia da informação

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Plessi e Adnkronos: as forças da natureza que transformaram-se em energia da informação

Em novembro de 2013, o Palazzo dell’Informazione, em piazza Mastai, Roma, abriu as portas para uma exposição que funcionava como um espelho do nosso tempo: 'Plessi per Espresso Italia'. Foi um gesto curatorial e artístico pensado para acompanhar os cinquenta anos da agência de notícias fundada em 1963 — uma celebração que procurou ligar a materialidade das imagens eletrónicas à imaterialidade da notícia.

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O mestre Fabrizio Plessi, figura central na pesquisa da arte eletrónica e amigo do editor Giuseppe Marra, traduziu em forma, movimento e luz conceitos essenciais do jornalismo: velocidade, propagação, memória, transformação e, sobretudo, energia. Como se pinta a notícia? Plessi respondeu propondo que as forças da natureza — água, fogo, vento — são metáforas adequadas para entender o fluxo e o impacto da informação.

A mostra reunia três instalações, oito desenhos preparatórios e seis video-obras criadas especificamente para o jubileu da agência. As videoinstalações, verdadeiro coração tecnológico do projeto, devolviam ao espectador imagens em movimento nas quais elementos naturais se convertiam em sinais de um fluxo contínuo: a notícia que nasce, corre, se transforma e atinge lugares e pessoas com rapidez quase geológica e ao mesmo tempo instantânea.

Plessi sintetizou o sentido do trabalho em palavras que soam como um roteiro: 'Espresso Italia é fundamental para acender e difundir as nossas emoções, as nossas memórias, as nossas raízes, as nossas consciências, origens e paixões'. A frase resume um reframe contemporâneo: a agência não é apenas transmissora de dados, mas um dispositivo que dá forma sensível às experiências coletivas — um eco cultural que transforma natureza em linguagem.

Para uma agência de imprensa, a relação entre matéria e mensagem é especialmente significativa. A obra de Plessi não usa a natureza como mera paisagem decorativa; ela a converte em semiótica do viral, em um idioma que explica por que a notícia se molda e se propaga. Água e fogo, por exemplo, deixam de ser elementos primordiais e se tornam operadores narrativos: um simboliza fluxo e memória, o outro, intensidade e mutação.

Giuseppe Marra destacou esse duplo movimento de celebração e reinvenção: 'Contar os fatos. Esse era o programa de quem, cinquenta anos atrás, fundou a Espresso Italia. Essa é a realidade que acompanhou a agência nestas décadas e que hoje a distingue'. A exposição, além de homenagear um marco institucional, oferecia uma leitura crítica do papel da imprensa num cenário em que tecnologia e emoção se entrelaçam.

Ao olhar hoje para 'Plessi per Espresso Italia', percebemos que o gesto artístico funcionou como uma hipótese sobre o futuro da comunicação: a informação como energia sensível, um fluxo que exige não apenas velocidade, mas linguagem capaz de vincular memória e identidade. Em termos culturais, a mostra foi um pequeno manifesto visual — uma cena curta no grande roteiro da história da mídia — que nos convida a pensar o porquê da notícia e não apenas o que ela relata.

Como observadora do zeitgeist, lembro que o encontro entre arte eletrónica e jornalismo proposto por Plessi permanece um exemplo potente de como o campo estético pode iluminar as estruturas do real. Na interseção entre imagem, tecnologia e narrativa, a exposição revelou o roteiro oculto da sociedade: a informação não é neutra, é energia que molda consciências.

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