Prêmio Mandrarossa 2026: 93 livros para revelar a Sicília que você não espera

Prêmio Mandrarossa 2026 reúne 93 livros, 54 editoras e 37 livrarias para contar a Sicília que você não espera.

Prêmio Mandrarossa 2026: 93 livros para revelar a Sicília que você não espera

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Prêmio Mandrarossa 2026: 93 livros para revelar a Sicília que você não espera

Por Chiara Lombardi — O Prêmio Mandrarossa 2026 confirma sua ambição de ser um espelho literário e cultural: foram selecionados 93 livros, vindos de 54 editoras, em colaboração com 37 livrarias, e distribuídos entre oito premiações que prometem mapear “a Sicília que você não espera”. Mais que uma competição, o festival se apresenta como um roteiro oculto da sociedade siciliana, onde literatura, território e a cultura do vinho se entrelaçam como cenas de um mesmo filme.

O alcance do prêmio se estende geograficamente: participam livrarias das cidades que foram Capitais Italianas da Cultura desde 2015 até hoje — de Mantova a Palermo, de Parma a Procida, de Bergamo e Brescia até Pesaro, Agrigento e L’Aquila — além das finalistas para 2026, das Capitais Europeias da Cultura italianas e ainda de Roma, Milão e Nápoles. Fora da Itália, algumas livrarias independentes em Barcelona, Boston, Marselha e Paris também integram a rede de leitura e votação.

Parte das cópias enviadas pelas editoras será destinada aos jurados e ao arquivo da organização; outra será usada para criar uma biblioteca do prêmio dentro da vinícola, e um fundo será dedicado a enriquecer a biblioteca municipal de Niscemi ou outras bibliotecas indicadas pelo coletivo de autores sicilianos Gli Olmi. É um gesto curatorial que reforça o vínculo entre produção literária, território e memória coletiva — a semiótica do viral deslocada para o papel.

A seção principal, Narrativa Mandrarossa, premiará o primeiro, o segundo e o terceiro colocados. Entre os títulos que figuram entre os candidatos destacam-se obras de autores consagrados e vozes do contemporâneo: "Il custode" de Niccolò Ammaniti, "La carità carnale" de Monica Acito, "Convitati di pietra" de Michele Mari, "Tutto il mio folle amore" de Francesco Carofiglio, "L’alba dei leoni" de Stefania Auci, "La levatrice" de Bibbiana Cau, "L’idiota di famiglia" de Dario Ferrari e "La grammatica del bianco" de Angelo Carotenuto.

Ao lado da narrativa, o prêmio se organiza em cinco seções temáticas, cada uma ligada simbolicamente a uma etiqueta da marca Mandrarossa, como se cada rótulo propusesse um gênero narrativo diferente: Giallo-Cavadiserpe, Favola/Fantasy-Bertolino Soprano, Opera Prima-Calamossa, Romanzo Storico-Cartagho e Ambiente/Paesologia-Urra di Mare.

No âmbito do giallo aparecem nomes como Francesco Musolino com "Giallo Lipari", Massimo Carlotto com "A esequie avvenute", Piergiorgio Pulixi com "Il nido del corvo", Barbara Baraldi com "Gli omicidi dei tarocchi", Walter Veltroni com "Buonvino e l’omicidio dei ragazzi", Daniele Mencarelli com "Quattro presunti familiari" e Antonio Manzini com "Sotto mentite spoglie" — uma seleção que reflete a diversidade do thriller italiano, do noir social à tradição do policial psicológico.

A seção Favola/Fantasy reúne títulos como "Sangue degli immortali" de Melania Muscas, "Donna di pace" de Liliana Segre e Daniela Palumbo, "Il pescatore di stelle" de Peppe Millanta e "Il restauratore di mondi" de Mattia Corrente — histórias que reconfiguram mitos e urgências contemporâneas através do fantástico.

Em Opera Prima há um espaço para descobertas: foram indicados, entre outros, "Marea" de Laura Nicchiarelli, "Il miracolo" de Lorenza Sabatino, "Anna non dimentica" de Adriano Giotti, "La mia ultima storia per te" de Sofia Assante e "Selenide" de Marta Cristofanini — a seção funciona como uma janela para novos roteiros autorais.

O Romanzo Storico traz obras como "La ragazzina" de Valeria Parrella, "L’incantatrice di arance" de Barbara Bellomo, "La vita sempre" de Elena Varvello, "Le leonesse di Vergine Maria" de Vanessa Ambrosecchio, "L’alba dei leoni" de Stefania Auci e "La seminatrice di coraggio" de Antonella Giuffrè, propondo relecturas do passado com olhar contemporâneo.

Por fim, a seção Ambiente/Paesologia concentra obras que dialogam com a paisagem, o território e as urgências ambientais — fechando o panorama temático do prêmio e sublinhando a relação entre escrita, lugar e memória coletiva.

O Prêmio Mandrarossa continua, assim, a se firmar como um projeto híbrido — ao mesmo tempo premiação, curadoria e rede cultural — que convida leitores e cidades a verem a Sicília não como um cenário fixo, mas como um roteiro em transformação. Num tempo em que o consumo cultural é muitas vezes efêmero, iniciativas como esta reconstroem um arquivo vivo: o livro como cena e a leitura como ato de pertença.