Prêmio Strega 2026: a dúzia de finalistas que espelha o estado da literatura italiana
Prêmio Strega 2026 anuncia a dúzia de finalistas; saiba quem são os autores, datas e o impacto cultural dessa seleção.
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Prêmio Strega 2026: a dúzia de finalistas que espelha o estado da literatura italiana
Em uma cerimônia realizada na Sala do Tempio di Vibia Sabina e Adriano, em Roma, foi anunciada a dúzia que vai disputar a LXXX edição do Prêmio Strega. A revelação, feita por Melania G. Mazzucco, saiu de um universo de 79 obras propostas pelos Amici della Domenica e selecionadas pelo Comitê diretivo formado por nomes como Pietro Abate, Paolo Giordano, Dacia Maraini e Marino Sinibaldi.
Essa lista de doze títulos funciona quase como um espelho do nosso tempo: há memórias íntimas, investigações da linguagem, revisitações históricas e excursões pela condição contemporânea. Eis os finalistas anunciados, com autores, obras, editoras e proponentes:
- Maria Attanasio — La Rosa Inversa (Sellerio), proposta por Ottavia Piccolo;
- Ermanno Cavazzoni — Storia di un'amicizia (Quodlibet), proposta por Massimo Raffaeli;
- Teresa Ciabatti — Donnaregina (Mondadori), proposta por Roberto Saviano;
- Mauro Covacich — Lina e il sasso (La nave di Teseo), proposta por Edoardo Nesi;
- Michele Mari — I convitati di pietra (Einaudi), proposta por Vittorio Lingiardi;
- Matteo Nucci — Platone. Una storia d’amore (Feltrinelli), proposta por Giancarlo De Cataldo;
- Alcide Pierantozzi — Lo sbilico (Einaudi), proposta por Donatella Di Pietrantonio;
- Bianca Pitzorno — La sonnambula (Bompiani), proposta por Roberta Mazzanti;
- Christian Raimo — L’invenzione del colore (La nave di Teseo), proposta por Luciana Castellina;
- Elena Rui — Vedove di Camus (L’orma), proposta por Lisa Ginzburg;
- Nadeesha Uyangoda — Acqua sporca (Einaudi), proposta por Gaia Manzini;
- Marco Vichi — Occhi di bambina (Guanda), proposta por Laura Bosio.
O Prêmio Strega será decidido por uma votação coletiva de 800 eleitores: 460 Amici della Domenica, 245 votantes selecionados no exterior por 35 Institutos Italianos de Cultura (cada um propondo sete jurados entre estudiosos, tradutores e apreciadores da língua), 30 votos coletivos expressos por escolas, universidades e círculos de leitura das Bibliotecas de Roma, e 65 votos de leitores fortes escolhidos entre profissionais e empresários.
A próxima etapa do calendário é a proclamação dos cinco finalistas, marcada para 3 de junho no Teatro Romano de Benevento. A noite decisiva, por sua vez, ocorrerá em 8 de julho no Campidoglio, transmitida ao vivo pela Rai 3 — um gesto simbólico que reafirma a ligação do prêmio com Roma, berço e cenário de sua história cultural.
Paralelamente, os livros concorrentes disputarão também o Prêmio Strega Giovani, agora em sua décima terceira edição, com votação feita por mais de mil estudantes de 125 escolas secundárias, dentro e fora da Itália; a cerimônia para esse prêmio será no dia 27 de maio, no PalaCep de Gênova.
Os autores envolvidos ainda participarão do Strega Tour, que este ano prevê mais de 25 paradas pela Itália e duas ligações com o público em língua italiana no exterior — Città del Messico e Guadalajara — numa itinerância que transforma lançamento em espetáculo público e conversa cultural. Em termos simbólicos, tanto a dúzia recém-anunciada quanto o tour funcionam como um roteiro oculto da sociedade: narrativas que entram em diálogo com audiências diversas, refletindo e reconfigurando memórias e identidades.
Como observadora da cena cultural, vejo nesse elenco de finalistas um mosaico: autores consagrados e vozes emergentes que, juntos, compõem um mapa das inquietações contemporâneas italianas — da intimidade familiar à memória histórica, da experimentação estética à urgência social. O Prêmio Strega, mais uma vez, não é apenas um troféu; é um espelho do nosso tempo e um palco onde a literatura trama, expõe e refrata o presente.